FREQUENCIA Z: O EBOOK!

Santa Fé, uma cidade interiorana como outra qualquer, que subitamente mergulha num dos piores pesadelos já imaginados: O apocalipse zumbi! Mulheres fatais e dissimuladas, homens corruptos, músicos idiotas, heróis forçados, palhaços psicóticos, idosos desesperados, crianças perdidas...

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É aqui onde os escritores do UNF deixam a imaginação rolar de verdade. Uma seleção de textos autorais dos mais variados estilos.

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27/01/2012

Império Primordial - Ventos da Mudança. Parte 5

E chegamos ao capítulo 5.
Nesse conto teremos uma grande batalha contra um... Dragão!
Acho que nada mais precisa ser dito não é?
Portanto, boa leitura e até o próximo capítulo


Império Primordial. – Ventos da mudança. Parte 5.



Enquanto vê o mago Ashlure deixar sua sala, ainda abalado pelos acontecimentos do dia anterior, Feston, o diretor da Academia de Aeriun, se voltou para seu armário e começou a se vestir para a cerimônia de formatura que aconteceria logo. “Foi algo de extraordinário, quem diria que aquele grupo poderia passar por algo assim e sobreviver?” era o que ele pensava enquanto se dirigia para o grande campo onde estavam os formandos, suas famílias e convidados de todo o Império Primordial.

Um a um, os alunos, agora finalmente formados, iam recebendo outra vez suas espadaserras e escudos, mas, dessa vez estavam todos trajados com os uniformes de verdadeiros Guerreiros do Céu.

Quando os integrantes da já famosa Tropa Relâmpago se ergueram, foram ovacionados por todos os presentes. As marcas de sua última vitória ainda eram visíveis: Tronter e Frisdan apresentavam vários ferimentos chamuscados no rosto, Hellen tinha o braço imobilizado numa atadura, assim como Vénië, que apresentava um olho roxo também, Joriander estava com uma perna quebrada e Ruan exibia com um corte no lábio, um curativo sobre o olho e uma mão enfaixada. Todos se sentiam envolvidos pelas palmas, mas nem isso impediu que suas mentes voltassem ao dia do grande teste.

XXX

Como todo segredo em uma academia o “grande teste” era sabido por todos. Sabiam que era uma espécie de brincadeira dos instrutores, que pediam para o mago Ashlure preparar esdrúxulos oponentes para que os alunos mais se divertissem do que qualquer outra coisa, afinal o verdadeiro teste era a escolha da montaria. No ano passado o mago invocou uma legião de golens, tudo seria simples se os golens não fossem feitos de fezes. Desnecessário dizer como a formatura foi inesquecível no dia seguinte, por conta do aroma que pairou no ar durante a cerimônia.

Reunidos entre dois paredões de rocha, os alunos conversavam animadamente quando Ashlure apareceu no topo de um dos lados:

- Alunos!!! – Ele adorava uma entrada dramática. – Hoje deixarão de ser crianças e se tornarão adultos!!! Preparem-se para enfrentar um horror ancestral!!!!!

Fazendo gestos exagerados o mago arrancava risadas dos alunos, exceto de uma. Hellen parecia apavorada e quando questionada por Frisdan ela falou muito baixo, quase num sussurro:

- Tem algo errado...

O trovão ouvido em seguida, mostrou a verdade nas palavras da jovem. O céu escureceu de repente e apenas raios iluminavam todo o lugar, o mago começou a sentir seus braços dormentes, o controle de seu corpo escapar-lhe e viu horrorizado um enorme portal surgindo na frente dos alunos. O mago desmaiou e um momento de silêncio antecedeu o surgimento de um enorme dragão vermelho.

O monstro parecia tão surpreso quanto os alunos diante dele, todos parados por alguns instantes até que o dragão fizesse uma expressão de dor que rapidamente foi substituída por uma de ódio, enquanto pequenos rastros de fumaça começavam a subir dos seus orifícios nasais.

O pânico se espalhou, os alunos não sabiam o que fazer e o primeiro ataque do monstro, uma baforada de fogo, lançou por terra vários deles, que não pareciam estar vivos. Ruan liderou seus colegas e eles escaparam do segundo ataque, as garras da fera pegaram de raspão no escudo do rapaz, que acabou caindo de cara no chão. Sentindo o gosto do sangue que escapava do lábio cortado e uma dor imensa na mão que segurava o escudo, Ruan os guiou até uma caverna próxima, Tronter foi o primeiro a dar voz ao que todos sentiam:

- Pelo jeito as coisas não aconteceram com era previsto, não?

- Com certeza. E o que vamos fazer agora, Ruan?

- Calma Joriander... – Vénië já estava a lado do amigo. - Como está a sua boca, Ruan? E a mão?

- Nada demais... Me deixem pensar... – Os relâmpagos lá fora iluminavam a caverna e o rugido da fera fazia tudo tremer. – Já sei. Mas é arriscado.

- Confiamos em você Ruan.

Agradecendo o voto de Frisdan, o rapaz explicou o que passava pela cabeça dele. Todos se entreolharam e já não pareciam tão confiantes.

- Lutamos muito para chegarmos até aqui... – O líder do grupo resolveu então tentar encorajá-los. - Sei que um dragão, de fato, parece um inimigo invencível... Mas enquanto estamos nos escondendo aqui, os outros alunos podem estar morrendo lá fora. Não sei quanto a vocês, mas eu acho isso inaceitável. Não lutei tanto para morrer aqui, dentro de uma caverna, prefiro morrer nos céus enfrentando esse dragão e o meu medo de voar. Lembram que os outros alunos faziam questão de nos lembrar a toda hora que não havíamos escolhido um nome para nosso grupo? – Os outros assentiram se mostrando mais animados. – Pois eu sugiro que escolhamos Tropa Relâmpago. Morreremos com esse nome, tendo os céus por testemunha... Iremos vencer ou morrer, não importa, contanto que estejamos juntos! Juntos até o fim! Vocês estão comigo?!

Silêncio, um silêncio incômodo até Tronter quebrá-lo de novo:

- Quanta besteira... – Ele se levantou, preparou as armas e continuou. – Ainda bem que você é um guerreiro e não um orador. Acha mesmo que iria lá para fora sem nós?

Todos se levantaram e começaram a caminhar na direção da saída, deram as mãos num tipo de despedida, caso o pior acontecesse e, sentindo o cheiro de carne queimada e destruição que vinha de fora, se lançaram ao ataque:

- Lutem até o fim, Tropa Relâmpago! – A ordem de Ruan ecoou por todo o lugar.

Os feridos voltaram seus olhares aos guerreiros que pareciam ansiosos pela morte, mas que lhes daria tempo. Aqueles que podiam andar começaram a ajudar quem estava caído, saindo assim do espaço do combate.

Vénië e Hellen seguiram pelo flanco direito do dragão, visando uma de suas patas dianteiras, Joriander, usando de sua incrível agilidade, escapou de uma baforada de fogo e seguiu para uma das traseiras. O monstro ia atacar novamente, quando sua atenção foi atraída pelo grito de Tronter e Frisdan, que corriam de frente para ele acompanhados de Ruan. Este empunhava sua espadaserra com as duas mãos.

O dragão hesitou e as garotas enterraram suas armas na carne do monstro, bem como Joriander fez com a outra pata. Com um urro de dor, ele os lançou de encontro aos paredões, causando graves ferimentos nos guerreiros que, ainda assim, continuavam tentando acertar o corpo do monstro. Nesse meio tempo os outros chegavam perigosamente perto, mostrando claramente que visavam acertar o peito do dragão e um jorro de fogo foi a melhor alternativa de defesa do monstro. Exatamente o que Ruan esperava.

Os anões pegaram os escudos de Ruan e Joriander que, por serem maiores do que os deles, puderam protegê-los do pior do mar de fogo que era lançado contra os três. Enquanto isso, Ruan saltou aos céus, seu semblante totalmente sério e concentrado, que seria uma característica marcante nos anos vindouros.

Ele se colocou sobre a cabeça do dragão e, apesar da dor lancinante que vinha de sua mão quebrada, partiu como um projétil para dar o golpe fatal no monstro, mas esse conseguiu esquivar, atacando em seguida. Ruan acabou atingido no rosto, causando um ferimento no olho, mas mesmo com a visão prejudicada, ele percebeu uma brecha e começou a ir em direção do inimigo outra vez quando aconteceu algo inesperado:

- NÃÃÃÃOOOOO! – O Dragão gritou de uma forma quase humana, o significado das palavras ecoou nas cabeças de todos os presentes. – Jokarion não será um títere!

Ruan deteve seu ataque a tempo de ver o monstro abaixar a imensa cabeça, como que para recuperar o controle, assim ele pôde ver um estranho aparelho na base da nuca de Jokarion. Um instante de dúvida e o rapaz decidiu atacar o objeto, cortando-o ao meio, resultando numa chuva de vapor e engrenagens. O urro de dor do monstro foi a última coisa que ele ouviu antes de perder os sentidos.

Horas depois, na enfermaria da academia, Ruan soube que, uma vez livre do controle mental, Jokarion simplesmente deu as costas ao cenário de destruição ao seu redor e foi embora, porém, antes disso ele pareceu lançar algum tipo de magia de cura poderosa evitando que houvesse alguma morte entre os alunos.

XXX

Depois da cerimônia, a tropa Relâmpago levou seus familiares para a Taverna do Grifo Dourado e todos se divertiram ao máximo. Hellen e Vénië cantaram, Tronter, depois de muita cerveja, acabou dançando com Frisdan, que ficou muito embaraçada. Num canto, Joriander foi falar com Ruan que permanecia à parte da festa:

- O que aconteceu destemido líder? – o desdém era facilmente percebido na voz do elfo. – Vencemos um dragão!! Um dragão!!! Bardos irão cantar sobre isso por toda a nossa vida!

- Eu sei... Estou contente, mas ainda é difícil conceber que existe por aí uma força capaz de controlar um dragão, lançá-lo contra nós e derrubar Ashlure daquele jeito... Você já pensou nisso?

- Sim, mas é por isso que eu achei uma boa ideia te deixar como o líder... Assim as preocupações ficam para você. – Ele piscou para o amigo, enquanto se afastava. – Afinal eu não pretendo ficar perdendo a festa. Vamos lá!!!

Os dois voltaram para os amigos e as garotas os fizeram cantar com elas, a noite de fato prometia. Enquanto isso um estranho vulto os observa pela janela:

- Sim... Aproveitem a festa... Logo a verdadeira tempestade virá...


Continua...

Ultimate UNF: Elektra #13

No último capítulo do arco Magatama, Elektra enfrenta, novamente, a deusa Amaterasu! No meio do combate elas encontram a tumba de Ch’in! Dentro, a ninja assassina precisa tomar uma difícil decisão para recuperar um outro tesouro imperial japonês!



Elektra #13
Magatama: O Grande Imperador
Por Pedro Caldeira



China Central, cidade de Xian, província de Shensi

Uma esfera incandescente corta o céu do país. Para alguns seria apenas um fenômeno da natureza, um cometa, balão meteorológico.  

A circunferência toca o solo e faz um grande buraco. A fumaça se mistura ao pó. Como um vulcão, o Magatama se abre e expele lava. Um corpo vai se formando em meio ao espetáculo pirotécnico. A medida em que o material expulso do orbe vai diminuindo, a forma se revela.

Amaterasu.  

Com o corpo envolto em labaredas.  

- As pirâmides!  

Nesta região, chamada Zona Proibida, estão, escondidas, sob plantações de coníferas, mais de 100 pirâmides feitas de argila e terra, não de pedras, em condições muito precárias, espalhadas numa área de 2000 quilômetros quadrados.  

- Finalmente... a tumba de Ch’in!  

Essas pirâmides que se encontram nas planícies de Qin Chuan diferem de tamanho, entre 25 e 100 metros de altura.  

- Meu corpo arde!  

Elas têm mais de 5000 anos e, segundo guardas de um monastério próximo ao local, elas pertenciam a uma era quando “os velhos imperadores” reinavam na China e que eles sempre enfatizavam o fato de serem “filhos do Céu que chegaram montados em seus dragões de metal ardente”.  

Teorias de ufólogos defendem que essas pirâmides são um legado de visitantes extraterrestres... Detalhe: nas proximidades, o governo chinês construiu uma plataforma de lançamento para o programa espacial, ou seja, é uma área restrita...  

A deusa solar caminha pela planície, protegida pelo Magatama, que dança ao redor do seu corpo.  

- Segundo Xia Nai, o mausoléu fica por aqui.  

Seguindo as informações do servo que morreu há pouco, e o brilho do orbe, que aumenta sempre que se aproxima de um outro tesouro imperial japonês, Setsuko está realmente próxima.  

Vale de Qin Li, norte das planícies de Qin Chuan

Parada. Não pelo peso por portar as novas armas adquiridas com os Sete Samurais Solares. Porque ela está encantada com o que vê: a Grande Pirâmide Branca, com aproximadamente 300 metros de altura.  

Elektra sente algo a atraindo para lá. Seus olhos brilham e seus pelos se arrepiam.  

Cada passo dado é acompanhado por uma respiração profunda. Há algo diferente nessa construção, semicoberta por coníferas.  

Ao chegar ao pé da pirâmide, a ninja deposita todas as armas, exceto os sais, e contempla a escalada.  

Ao tempo em que os leves e poucos cortes do pano vermelho balançam, ela começa a suar. Calor intenso.  

- Me surpreendi com você chegando antes de mim, Arma Letal.  

Em frações de segundos Elektra se vira com as armas já em punho.  

***

É como uma viagem lisérgica. Uma montanha tão alta como as de lendas. Céu límpido. No topo dela, não neva por causa da baixa temperatura, resultado da altitude. Flores. Verde. Vida.  

No meio da relva, três velhos estão sentados em troncos de madeira talhada por... milênios.  

Cada um deles encanta algo diferente: a flora, a fauna e os elementos.  

Estão interligados, são dependentes entre si.  

Só que a situação é grave, e a irritação começa a surgir quando esses três encantamentos se cruzam e resultam em criação.  

Grande Pirâmide Branca

Ao pé da construção, as duas se encaram.  

- Tenho que admitir, Elektra. Não esperava que você fosse capaz de derrotar os 47 Samurais Sem Dono, tampouco os Guerreiros do Sol.  
- Setsuko!  
- Esse é o meu nome nesse corpo fraco de humano. Na verdade, eu sou...  

Explosões, brasas. Fogo.  

- ... Amaterasu, a Deusa do Sol do Japão!  

Elektra olha, assustada e impressionada com a transformação. Ela realmente não imaginava o que acontecia. Muito menos o papel dela, e mais, ser taxada de Arma Letal.  

- Quando contratei você para que recuperasse o Magatama era só o início do seu destino! Você foi preparada para decidir a luta entre o Sol e o Céu! Você teria que estar ao meu lado, Arma Letal! Mas me traiu!  

Rapidamente Elektra investe contra Amaterasu. Os sais passam de raspão, rasgando apenas o quimono lilás.  

- Eu daria uma outra chance para você, mas terei que fazer o mesmo que fiz com aquele velho... Tsao.  

Após recuar do golpe, Elektra fica chocada ao saber que seu mestre foi morto... pela mulher à sua frente.  

- Esse foi o seu último erro, Amaterasu!  

A ninja corre com as armas e desfere uma sequência ágil de golpes. A deidade sacara o tesen e abafara todas as tentativas de Elektra.  

- Vejo que você escolheu o lado do Céu, Arma Letal. Vai pagar por isso com a vida!  
- Eu escolhi... o meu lado!  

O orbe dispara chamas contra a assassina, que se esquiva e se esconde por entre a vegetação.  

Usando técnicas de ataque aéreo, Elektra sobe uma arvore discretamente e pula sobre a deusa, dando chutes até tocar o chão. Amaterasu sente os golpes.  

- É o seu melhor? – e investe pesadamente, dando sequências também rápidas. O leque de metal se torna dois e buscam, alternadamente, os membros superiores e inferiores. A ninja salta, rebate com o sai, movimenta-se. Esse duelo baila como as folhas sacudidas pelo vento.  

- Eu queria você do meu lado, Elektra. Juntas, o mundo iria sucumbir ao nosso poder!  

Elektra abaixa, gira a perna como numa rasteira. Amaterasu salta e acerta uma cotovelada na cabeça da ninja, que rola para trás.  

- Ao menos você me ajudou a encontrar dois dos três tesouros sagrados do Japão!  

A ninja para. Agora ela sabe que na tumba do Imperador está escondida outra insígnia.  

Por Tsao. Pela outra peça. Por ela.  

Elektra levanta em um salto e corre para a direção de Amaterasu. Um grito. Em sua mente, todo sofrimento. Todo treinamento. Toda dúvida.  

A ninja salta sobre a deusa e cai atrás dela após um ataque. Antes de virar o corpo, recebe uma fincada nas costas. Em vez de sangue, fogo.  

A deidade grita. O orbe dispara novas rajadas de chamas ao tempo em que Amaterasu abana os tesens, fazendo com que Elektra seja empurrada para trás.  

- Eu sou uma deusa, mortal!  

A assassina se bate contra as árvores. O poder solar se intensifica. Bolas de fogo atingem varias partes do corpo de Elektra que, mesmo ferida, luta contra o vento para se aproximar da oponente.  

Rastejando. Usando os sais como apoio para chegar lá.  

Fogo. Vento.  

O corpo de Amaterasu volta a ser envolto por lava. Ela grita palavras num dialeto antigo e extinto.  

O orbe pisca constantemente.  

Tudo queima ao redor das duas.  

- Acabou, Arma Letal! O mundo será meu! – de braços abertos e cabelos balançando.  

Novamente o vulcão e a fumaça.  

As coxas nuas de Elektra sangram. Assim como seus braços e pescoço. As palmas das mãos.  

Uma explosão. Como se o sol caísse no local. Não há vida, não há verde. Terreno desértico.  

Estiradas, as inimigas dividem a paisagem desoladora.  

Amaterasu não resistiu à força. Ela não pode usar por muito tempo uma única insígnia japonesa em solo chinês. Mas, se levantando lentamente, vibra ao ver a ninja morta.  

- Agora só me resta Ch’in.  

Amaterasu dá as costas para a ninja e encara a Grande Pirâmide Branca.  

- Não tenho muito poder... só o suficiente para...  
- Não vai ser tão fácil, Setsuko – uma voz a interrompe. Amaterasu fecha os olhos e sua expressão revela o ódio.  
- Elektra!  

A ninja se levanta, apoiada pelos sais.  

- Eu sou a Arma Letal – posição de ataque – Vamos ver como você se sai sem seus poderes de deusa.  

O solo petrificado treme. As duas se olham, curiosas. A pirâmide treme. Pedras caem. As duas se olham, tensas. Terremoto. As duas se olham, cuidadosas. Deslizamento. As duas se olham, parvas.  

A tumba do Imperador Ch’in surge.  

***

Os três velhos se levantam, se preparando para partir.  

“Não há nada mais o que criar”, pensam, ao caminhar lentamente.  

O céu se fecha. Escuridão. Tempestade. Chuva. Relâmpagos. Rapidamente as nuvens se separam, mas o céu continua no breu. A lua surge.  

“Eles chegaram”, pensam os três chineses.  

Dois japoneses de roupas típicas e únicas se apresentam.  

- A China e o Japão se encontram outra vez; com um problema grave.  

Grande Pirâmide Branca

A primeira imagem que vem à cabeça quando se olha para a tão secreta e sonhada tumba de Ch’in é a sua similaridade com a construção principal do Palácio de Verão.  

Não se sabe ao certo quantas centenas de milhares de escravos e derrotados e prisioneiros de guerras foram utilizados para erguer esse mausoléu, nem seu tempo exato para ser concluído.  

A única certeza é de que o lugar é lindo.  

A grande porta com baixos-relevos, ornada em ouro e jade se abre, e Elektra, que pegou as armas antes deixadas ao pé da pirâmide, e Amaterasu, a cruzam.  

A medida que caminham pelo labirinto, guiadas por uma força estranha, Amaterasu deixa Elektra à frente.  

Ela não tem energia. E ao se apoiar nas paredes de argila e terra, mesmo material usado na construção da Grande Muralha, descobre restos mortais daqueles que trabalharam aqui, e que foram proibidos e condenados a morrerem e serem enterrados no local, para não revelarem onde está, exatamente, a tumba do imperador.  

Elektra acelera os passos. Ela precisa chegar ao centro para recuperar a peça antes da deidade japonesa.  

Mas ela não viu quando Amaterasu recuou e saiu da tumba. Seu corpo estava envelhecendo rapidamente. O Magatama não lhe tinha serventia. Era muita afronta um japonês invadir um lugar sagrado chinês.  

Perdida. Assim a ninja se sentia. Ela ignorava todos os ornatos, que provavelmente seriam disputados aos tapas por arqueólogos e antropólogos.  

Eis que ela se depara com uma passagem apertada, guardada por uma estátua de terracota. Era uma figura desconhecida, mas parecia ter um enorme papel dentro do mausoléu.  

A ninja cruza o estreito caminho e o guerreiro sela a passagem.  

Um ambiente negro. Ficar de olhos abertos era o mesmo que ficar com eles fechados. Nada se enxergava.  

Ao ouvir o barulho da porta sendo fechada, Elektra saca o lajatang.  

Lentamente pontos brilham no que seria o teto. Como estrelas verdes. Na verdade eram constelações feitas com pedras de jade. Todas que podem ser vistas da China.  

O chão se ilumina. Ouro. Visto de cima, era exatamente o mapa da China – seus vales, desertos e uma marca representando a Muralha - e os rios e mares eram representados por... mercúrio líquido. Altamente tóxico, foi ideia do próprio Imperador, que, temendo invasores, deixou armadilhas.  

E no local onde está o vale de Qin Li, está o sarcófago do Imperador. Todo em ouro e jade. Escritos remotos espalhados, provavelmente provérbios.  

Elektra estava hipnotizada por causa da sensação estranha que aquele lugar proporcionava; era ilusão, utopia, terceira dimensão...  

Assim ela decide abrir o ataúde.  

O lajatang pousa sobre a tampa. Os dedos e o punho doem.  

Quando cede uns milímetros, a ninja é interrompida.  

- Não há nada para você aí dentro.  

Elektra se vira com o lajatang e investe sobre o grande homem.  

A resistente peça de madeira de 1,5 metro, com uma lança na ponta, se quebra em vários pedaços.  

- Como ousa entrar neste local sagrado?  

Das costas, na parte da cintura, Elektra saca o sakujo yari e, ao rolar até se aproximar do homem, assim que encosta o bastão no abdome dele e aperta o botão que ativa a lança, recebe um golpe com o cabo de uma espada, que, na mesma velocidade em que foi retirada, foi guardada.  

- Armas japonesas...  

Do centro das costas, a ninja, agora preocupada por não saber quem enfrenta, retira o kau sin ke. Ela manipula as barras de ferro conectadas por elos de corrente. O homem desfere golpes com as mãos abertas e estiradas, arrancando a arma de Elektra. Por reflexo, agora a ninja inverte da parte interior do antebraço, as tonfas.  

Os dois batem braço com braço. O homem absorve o impacto enquanto a assassina alterna a sequência do ataque. Subitamente, o guardião da tumba segura as tonfas e arremessa Elektra para longe.  

Quase ela caiu no mercúrio líquido.  

Em poucos instantes o daikyu que cruzava o corpo e aparava as outras armas é segurado com força. Na outra mão, três fechas, que são disparadas no mesmo instante. Uma acerta de raspão o ombro direito, que derruba a proteção metálica. As outras duas são desviadas sem ao menos terem sido tocadas.  

Atacar à distância. Existe uma técnica dessa.  

Estrelas grandes e pequenas cruzam o espaço, deixando o homem desorientado. A cada remessa de shurikens, Elektra se aproxima, correndo para várias direções.  

Um salto.  

A ninja retira, de cada bainha presa a um lado da cintura, o daisho.  

O homem saca a espada e três lâminas se chocam.  

A wakizashi se quebra em quatro pedaços.  

A katana do samurai solar resiste ao impacto, mas cai perto do sarcófago.  

A outra espada, de fio vermelho, brilha.  

Ajoelhada, Elektra recebe um chute no busto e voa longe.  

- Muita ousadia invadir o secreto mausoléu do Imperador.  

Elektra saca os sais e levanta.  

Com as costas da mão direita ela limpa o fio de sangue que escorre pelo canto da boca.  

Ela só pensa em uma coisa: em como passar pelo homem, abrir o sarcófago e recuperar o tesouro lá escondido.  

Olhos fechados.  

Concentração.  

O espaço onde está é imaginado. Posições.  

Dardos venenosos saem pelos pontos brilhantes no alto.  

Ela se esquiva de todos e parte pra cima do homem.  

Os sais giram em cada mão.  

Os olhos se abrem, junto com a boca.  

Um salto. Um grito.  

Trincar de armas.  

Enquanto um sai ampara a espada, o outro acerta profundamente o braço do oponente.  

Ele ri.  

A espada que segura brilha e ele acerta um golpe. A coxa da ninja sangra.  

Segurando a arma com as duas mãos, ele inicia ataques. Ela, recua.  

O sangue se mistura ao líquido mortal.  

Cansada e ferida. Não derrotada. Ela, mesmo cambaleando, resiste às investidas daquele poderoso homem, que faz com que a ninja continue recuando.  

Até se bater em algo.  

E cair sentada, mas com as armas em punho.  

O sarcófago.  

- Você é boa, Arma Letal.  

Elektra levanta a cabeça.  

E o reconhece por causa de suas vestes. Apropriada para um homem que foi levado para o descanso até voltar para o encontro dos antepassados e antecessores.

- Eu sou o Imperador Ch’in.  

Os olhos de Elektra se enchem de lágrimas.  

- Não precisa me reverenciar. O combate foi compensatório. Venha.  

O homem estende a mão e a assassina fica em pé.  

- Imagino que você tenha muitas perguntas e pouco tempo. Vê o que seguro – e mostra a espada – Essa é a lendária Kusanagi, a katana que integra o tesouro imperial japonês. Ela está guardada comigo por diversos fatores, que você vai descobrir com o tempo.  
- Eu a quero. Nem que para isso lutemos até a morte.  
- Amaterasu a anseia tanto quanto você.  
- Mas algo me diz que você nunca dará a ela.  
- Se Amaterasu recuperar os três sagrados, será o fim do mundo.  
- Ela já tem o Magatama.  
- Restam o sabre e o espelho.  
- Se a espada está com você... onde está o espelho?  
- Existem pessoas responsáveis por este segredo, Arma Letal.  
- Amaterasu já sabe onde você se esconde, Imperador. Mais cedo ou mais tarde ela voltará com reforços e...  
- Tenho uma proposta para você. Sei que não está em nenhum dos lados nessa guerra milenar. Acredito que se você recuperar as três peças vai saber o que fazer com elas.  
- Não vou mentir dizendo que estou com você, para que me dê a espada.  
- Nobre.  
- Qual a proposta?  
- Se você sobreviver ao Inferno e retornar, a Kusanagi será sua.  

Elektra admira a tumba.  

- Como chego lá?  
- Você precisa morrer.  

A ninja se confunde. Seria mesmo importante para ela comprar uma briga que não lhe atinge diretamente?  

- Suicídio? – saca os sais.  
- Não para este propósito. Pelas mãos de um imperador chinês com um artefato japonês.  

Ela se levanta.  

- Ficarei desarmada lá?  
- Você tem muitas opções.  
- Desse arsenal só me interessam minhas armas.  
- Sábias escolhas, mesmo sem saber se enfrentará muitos inimigos.  
- Estou pronta.  

Ch’in segura a Kusinagi e pronuncia palavras. As mesmas usadas no Templo, quando um remanescente concluiu a cerimônia de passagem para T’ai Li.  

Num movimento brusco, a espada é cravada no coração de Elektra.  

- Você vai encontrar o Deus da Porta, que está ciente de sua chegada. Ele vai dizer o que você deve fazer.  

Aos poucos Elektra abaixa, segurando a lâmina que lhe corta a pele e lhe fura cada vez mais.  

“E se ele estiver mentindo”, pensa, ao ver a quantidade de sangue que jorra do seu corpo.

25/01/2012

Canções do Velho Bardo: O Guerreiro Leão!



Muito Obrigado, amigo querido,
por querer me apresentar.
Vejam só que conto sofrido
Que o Bardo Desmond acabou de contar!

O Guerreiro Leão

Depois de um tempo
vejam cá eu voltei!
com uma história tão incrível
digna dos ouvidos de um rei!

Era noite, a lua era alta
esbelta queria
seu brilho jogar!

A floresta, era escura
 Nem uma alma podia-se ver
mas ali, numa clareira segura
um bravo guerreiro estava a beber!

Seu hidromel, num cantil estava
e de tanta sede
ele não percebeu
 que sua barba pingava!

Afinal aquele, era o Guerreiro Leão!
Que com sua lança
Matou um dragão!

Com sua espada
cortou-lhe a cabeça
e como prova testada
entregou-a à condessa!

Nas colinas do norte,
vivia um dragão
coberto de esmeraldas
e livre de qualquer grilhão

Voava pelas vilas
a tocar o terror
os moradores com medo
clamaram por um salvador!

Chegando nas montanhas
um guerreiro de feições estranhas
uma cicatriz o olho cortava
e a tatuagem a face esquerda marcava

O desenho mostrava
um leão a rugir
e tanto amedrontava
que levava os inimigos a fugir!

Caminhando a passos calmos
ele se aproximou do terrível dragão
que aterrador era seu hálito
e o tamanho das garras, então!

De suas narinas, o fogo saía!
mas o guerreiro
de nada fugia

A criatura tentou acertá-lo
mas girando para o lado ele desembainhou sua lança
e com um rugido feroz
o povo voltou a sentir esperança

A lâmina estava cravada
no coração ardente do dragão
e as esmeraldas que o cobriam
aos poucos perdiam força e caíam

E sem piedade
o guerreiro tirou sua espada e olhou o colosso
e num golpe rápido
decepou-lhe o pescoço!

E assim a cabeça
levada foi à condessa
como prova de que guerreiro maior
não havia melhor

E o Guerreiro Leão fora chamado
para ser parte da Guarda do Rei
indicado pela condessa
naquela terra sem lei.

E hoje ele vive, como supremo comandante
o Guerreiro Leão
e seu Rugido ressoante!

E agora
eu voltei
com histórias
da Terra sem Lei!

E com meu companheiro
Desmond, o Bardo
nenhum outro conto
deixará de ser contado!

Desmond, o Bardo - A bela, o gigante e o guerreiro feroz

Vejam só, um outro bardo apareceu nas cercanias. Que histórias fantásticas ele vem nos mostrar?


Por: Anderson Oliveira



Venho dos montes
Além do horizonte
E levo a vida a cantar
Em estalagens, tavernas,
Castelos, cavernas
Ou sob a luz do luar

Ouçam o que eu digo
Sem festa não vivo
Nem me ofereçam outro cargo
Sou o harpista
O cantor, o flautista
Chamem-me de Desmond, o bardo

Conto uma história
Que vem na memória
Lembrança de um tempo passado
Havia a donzela
Inana, a bela
Prisioneira de um gigante gelado

Na terra do Inverno
De gelo eterno
Osfrid ali era rei
Os gigantes de gelo
Um povo sem zelo
Roubar e matar era a lei

Levantaram batalha
Derrubaram a muralha
Da cidade do rei Baleor
Saquearam o mercado
Espantaram o gado
Em Valreal espalharam o terror

Baleor era o pai da jovem Inana
A fim de salva-la da guerra insana
A mandou num navio pra uma ilha distante
Osfrid era esperto tal qual era frio
Com sua magia congelou o rio
E Inana caiu nas mãos do gigante

Num esquife de gelo prendeu seu troféu
Fugiu para o norte sorrateiro ao léu
Inana, a bela, para sempre dormindo estava
O rei Baleor, tristonho chorou
Seu povo quebrado aos deuses rezou
Toda Valreal, por um milagre, esperava

A tristeza era enorme
E há quem se conforme
Com a canção por aqui terminar
Mas Desmond, o bardo
Sofrendo com o fardo
O final da saga irá narrar

Osfrid, o gigante, bebia a vitória
Na terra do Inverno era essa a história
Mas eu vou contar o que de fato ocorreu
De como o herói surgiu do oriente
Sua luta com Osfrid à luz do poente
E de como o gelado gigante morreu

No esquife de gelo ela era guardada
No salão do trono na terra gelada
Inana, a bela, prisioneira do mal
Seu rosto era azul e estava sofrendo
Os gigantes a viam aos poucos morrendo
Mas não esperavam que ele fosse o tal

Um chute na porta anunciou a entrada
Surpresos os gigantes gritaram do nada
O pequeno homem o rei quis conhecer
Riam de escárnio, mas ninguém sabia
Que ali se encontrava pura ousadia
O invasor a todos o fel fez beber

O guerreiro errante
Nem um pouco galante
Trapos vestia sob um grande chapéu
Sua espada era tosca
Estava cercado de moscas
Mas cortou gigantes feito papel

Aos saltos girava
A espada empunhava
Rápido, era como uma águia
Osfrid tremia
Naquilo não cria
Seus homens reduzidos a nada

O herói em todos batia
Fogo nos seus olhos ardia
Era feito de que maldição?
Osfrid berrou
Seu exército chamou
Mas de milhares só veio um quinhão

“Um demônio ele era”
Dizia o sentinela
Na fortaleza ninguém viu entrar
“Pouco importava”
Osfrid esbravejava
“Com esse verme irei acabar!”

Sacou seu machado
De aço gelado
Ao errante jurou a morte
Beijou a donzela
Através da fria cela
Com aquilo buscava ter sorte

Como se a bela Inana
Cativa em sua fria cama
Fosse por ele orar
Ainda que fria
Tudo ali via
E ao gigante rogou-lhe falhar

Osfrid atacou ferozmente
O guerreiro esquivou de repente
O machado no chão se enterrou
Desarmado e cercado se viu
O guerreiro a espada brandiu
E a cabeça de Osfrid do pescoço arrancou

Os guerreiros de gelo pararam
Como bonecos de neve ficaram
Ao verem seu rei derrotado
Aos poucos deixaram o lugar
Debandaram para não mais voltar
O vencedor errante não foi perturbado

Exclamando, foi até a donzela
“Pelos deuses, como ela é bela
Não sou digno de sua paixão”
Num ato final de nobreza
Em Valreal pôs fim à tristeza
Trazendo Inana pela mão

Baleor, radiante e contente
Ao errante ofertou um presente
Qualquer coisa do reino era seu
Até a mão da sua bela Inana
Liberta do gelo que profana
O rei ao guerreiro prometeu

Mas com o semblante cansado
O guerreiro recusou o noivado
“És tão bela e eu sou um ninguém
Meu destino é vagar pelo mundo
Sou filho do oriente profundo
Não trago comigo um vintém”

Só lhe pediu uma mecha de cabelo
Longos cachos num puro vermelho
Apenas isso queira de prenda
Saiu vagueando sozinho
Uma ave sem nome e sem ninho
Iria seguir outra senda

Da donzela guardaria a lembrança
Sua beleza e olhos de criança
Mas não podia ter seu amor
Ela era feita para um cavaleiro
Ele era apenas um caminheiro
Forjado na batalha e na dor

Inana o vira partir
O herói que a fizera sorrir
Sem ao menos seu nome dizer
Não era belo e azedo cheirava
Mas tão valente no reino não se achava
Nunca mais o voltaria a ver

Dizem que muito triste ficou
Em segredo por vezes chorou
Sem amor, com outro senhor se casara
Meio século se passou
De sua beleza pouco restou
Mas sempre o feio errante amara

Essa é a história que trago a vós
A bela, o gigante e o guerreiro feroz
Se é verdade, vocês desejam saber
Pois subam a Colina dos Mortos
Procurem nos túmulos tortos
Uma tumba sem nome vão ver

Na estaca cravada na terra
Pendurado num vão feito à serra
A mecha de cabelo vermelho qual chama
Longos cachos voando ao vento
Dos mortos testemunha o lamento
A lembrança do errante e da bela Inana

Senhoras e senhores
Cavaleiros e doutores
A todos agradeço a atenção
Me despeço sem mais delongas
Lá vem ele com suas madeixas longas
O Velho Bardo para outra canção

24/01/2012

Imortais.



Conferi esse filme sem esperanças de ser nada mais que um dos que foram feitos na rabeira do 300, mas acabei me surpreendendo.

Vamos à sinopse do filme antes de mais nada.

Acompanharemos o guerreiro Teseu (Henry Cavill, o futuro Superman) enfrentando as forças do terrível rei Hipérion (Mickey Rourk), que planeja encontrar uma arma mítica para libertar os terríveis titãs, visando destruir os deuses.

Simples e direto, mas ainda assim resulta em um filme de ação que não chega a ser tão empolgante visualmente quanto 300, mas que ainda assim é capaz de fazer o público ter uma ótima imersão na história e aproveitar as excelentes cenas de ação.

A comparação entre os filmes é inevitável, mas ainda assim Imortais consegue apresentar alguns conceitos novos e bem explorados, como os deuses do olimpo.

Talvez os mais acostumados às imagens de homens de longas barbas brancas venham a se incomodar com a juventude apresentada pelos deuses, todos mal parecendo estar saindo da casa dos 30 anos e com visual dos modelos de hoje em dia, mas se pararmos para pensar, por que um deus deveria ter o visual de um velho?
Batalhão dos deuses

As cenas de luta são muito bem feitas, impossível não se empolgar com o modo que o herói usa uma lança em seus inimigos, mas ainda assim as lembranças com 300 voltam imediatamente, ainda mais com o efeito de câmera lenta/acelerada entre um golpe e outro.

Dos atores quem se sobressai de longe é o cada vez melhor Mickey Rourke, que deveria ter erguido um altar na casa para agradecer sua volta ao cinema com Sin City e aqui faz um excelente vilão, daqueles que você vai torcer prá morrer, mas só se for de maneira grandiosa.
O Rei Hipérion

Henry Cavill não faz feio, mas dá prá perceber que ele poderia ter se esforçado um pouco mais com seu Teseu, ainda que não fique tão deslocado em meio ao restante do elenco, quando comparado a Rourke, acabamos caindo no velho chavão de que o vilão é mais interessante que o herói.

No núcleo dos deuses se destaca Zeus, o ator realmente passa certa imponência, ainda mais se comparado com os demais “colegas divinos”, como no cado da bela, ainda que sem talento, Isabel Lucas (de Transformers 2) que faz uma Atena linda, mas totalmente sem graça.

A deusa Atena
O final, como não poderia deixar de ser hoje em dia, deixa uma brecha do tamanho do Olimpo para uma continuação, que promete batalhas ainda mais impressionantes.

Enfim, Imortais é um filme que vale muito a pena conferir, chegou a me surpreender por conta dos pontos positivos, mesmo sabendo que não será uma marca na sua vida, ao menos é diversão garantida.

Nota 8.

23/01/2012

Ultimate UNF: Titãs # 16













































Um raro momento de calmaria é sentido no Deserto Mojave. Após os incidentes em Washington, os membros dos Titãs foram expostos ao público. E um Relações Públicas decide que o visual dos Titãs tem que mudar...




Titãs – Capitulo # 16 – Heróis

Base Titã
Deserto Mojave

Meu despertador começa a “gritar” que nem um desesperado. 8:00 da manhã é o que o relógio acusa.
- Cacete!! A reunião!!! Sabia que eu tinha que por essa droga pra despertar mais cedo, ainda mais depois da noite de ontem... Eu e o Grant tamos mandando super-bem no Strip-Poker... e aquelas gatinhas..ehehehe...
Roy pega suas roupas e corre para o box pra tomar uma ducha, e tentar despertar da noite longa que passou com os amigos em um bar.

Rachel Roth caminha a passos largos até a porta do quarto de Harper. Ela sabe que ele está atrasado, pois lhe disseram que a reunião seria importante e ela não queria que Roy fosse prejudicado. Ela chega até a porta e dá alguns soquinhos.
- Roy!! Você ainda taí?? Roy???
Dentro do banheiro, Roy não ouve os apelos da colega titã, que fica com medo de represálias contra seu companheiro.
- Droga, Roy. Cadê você?? – Rachel parece começar a se concentrar e derepente ela flutua defronte a porta. Sua mão toca a parede, que sem o menor dos avisos, começa a puxá-la para dentro. – Céus, o que está havendo ?... – Devagar, o corpo de Rachel passa totalmente pela parede, e continua flutuando até o banheiro, onde Roy se encontrava na ducha. Quando ela percebe que Roy está no chuveiro, o corpo de Rachel começa a retornar á forma normal e seus pés voltam a tocar o chão. Ela se aproxima da porta e a abre um pouco, pra dar uma espiada.
- Roy... você está...aahhh!!!!!.
- Epa... Rachel, o que você tá fazendo aqui dentro?
- Roy.. desculpa, eu... - A menina não sabe o que falar, ficando toda ruborizada.
- Hmm.. olha só, aproveita que cê tá aqui, e eu também tô... a água tá gostosa... vai ficar aí só olhando ou vai entrar?
- O que é isso, Roy? A gente não... – Roy pega a toalha e se enrola nela. Ele olha para a Rachel, que continua envergonhada, e caminha ao seu encontro. Ela fecha os olhos ao sentir o toque das mãos de Roy em sua cintura. O tecido sintético do traje de Rachel se molha ao toque das mãos de Harper, que com sua mão direita direciona o rosto dela pra perto do dele. O lábio de Roy insiste em querer tocar nos lábios de Rachel, que oferece uma resistência quase nula. Ela começa a se entregar ao beijo, e com os olhos fechados, começa a pensar no que estava acontecendo ali. De repente, tudo em sua mente fica escuro. Em seguida, um par de olhos vermelho-sangue aparecem olhando para ela. Em seguida, um segundo par de olhos vermelho-sangue aparecem acima dos olhos anteriores. E ela se lembra dos quatro olhos vermelhos. Os malditos olhos vermelhos que fizeram dela o que ela é hoje. Rachel começa a flutuar novamente, e seus olhos emanam uma energia púrpura. Ela abre seus olhos, e a única cosia que dá tempo dela fazer é gritar.
- Rooooyyy........!!!!!!!
Um clarão. Seguido de um brilho púrpura que toma conta de todo o banheiro. Harper é jogado para trás, contra a parede, e cai no piso do box. Ele recobra a consciência, e vê Rachel pairando sobre o ar, atônita.
- Meu Deus..o que foi isso? - Ele pega seu comunicador e chama a equipe de para-médicos, que chegam rapidamente dentro de alguns minutos. Com eles, os outros membros dos Titãs.
Donna Troy caminha até Harper, enquanto a equipe coloca Rachel em uma maca e a leva para a enfermaria.
- Harper. – O rapaz não atende ao chamado da amiga. – Harper!! Eu estou falando com você!!! O que você fez a ela??
- E..eu??? Nada... juro.. não toquei nela.
- Ela estava no seu banheiro. Sozinha com você. E você está nú. Quer mesmo que eu acredite que você não fez nada? – Donna desembainha sua espada enquanto vai na direção de Harper.
- Peraí..!! Guarda esse treco... isso corta... é perigoso.
- Seu aproveitador...- Quando Donna parte para cima de Roy, uma mão apara a espada, e a toma de suas mãos.
- Donna, querida... confie no Roy. Você sabe que ele não faria mal á Rachel.
- Garth... eu... me desculpe. – A garota abraça o namorado e começa a chorar. – Eu sou uma guerreira, Garth... e me descontrolei.. de novo... o que está acontecendo comigo??
- Nada, meu amor... estamos passando por inúmeras situações difíceis... muito stress... e agora aconteceu algo com a Rach... ela e´sua amiga, então foi natural a sua atitude. – Garth beija Donna e a retira do quarto.
Roy sua frio, pega a toalha e enxuga a sua testa. - Putz... só me faltava eu perder minha flecha mais preciosa...

******T*****

Laboratório do
Doutor Silas Stone

Victor Stone
está sentado em uma cadeira especial, enquanto a Dra. Sarah Charles lhe prende alguns fios, preparando-o para um check-up e para analisar o desempenho da fonte de energia que abastece as baterias que dão suporte ao corpo de Victor.
- Nossa, Sarah... está geladinho... - Ele olha para Sarah, que parece envergonhada diante do comentário. – brincadeira, Sarah... você deve saber que por baixo dessa pele sintética não tem muita pele pra sentir algo geladinho.
- Seu pai está se esforçando pra desenvolver esses seus sensores, que irão melhorar muito o seu tato, Vic.

A Doutora Sarah é uma mulher linda, exótica... seus cabelos compridos e cacheados povoam os sonhos de Victor desde o dia em que ela começou a trabalhar com meu pai, uns dois meses atrás... Mas no meu estado, uma mulher como ela... que besteria... é obvio que ela me vê apenas como um rato de laboratório, que nem o meu pai. Cientistas são todos iguais. Depois sou eu o homem-máquina...

- Logo, logo, você sentirá toques e... - Victor segura no braço da doutora. - O que foi, Vic?
- Nada... me desculpa Sarah...
- Amolando minha ajudante mais uma vez, Victor? Não basta as outras duas que eu perdi no mês passado?
- Pai? Eu não estava fazendo nada... eu estava aqui com a Sarah, e...
- E como andam os preparativos para o próximo check-up, doutora?
- Está tudo pronto, Dr. Stone. Podemos começar.

*****T*****

Lab Méd

Roy aguarda que Rachel acorde. Ele está sentado ao lado dela, segurando sua mão a mais de 40 minutos. Rachel foi avaliada e não há nada de errado com sua saúde. Ele pensou em tudo o que aconteceu e percebe que a revolta de Donna tem seu pingo de razão. Ele sabe que Rachel é uma garota diferente. Não é como as outras. Rachel teme muito as suas emoções. Segundo a própria garota, por causa de suas emoções, várias pessoas desapareceram. É algo místico, ou coisa assim. Ele acha que deve se afastar um pouco dela.
- R...Roy? – A menina finalmente retoma a consciência e abre os olhos.
- Rachel!! Que bom que está bem! – Roy abraça a amiga e por um momento, esquece de tudo que havia pensado minutos antes. – É isso aí, campeã!!! Por sua causa estamos atrasados com a reunião que o tal King Faraday marcou com o Eiling.
- Esse King Faraday... não gosto dele.
- Embora Faraday atualmente estar trabalhando como Relações Públicas para o Departamento de Inteligência em Assuntos Meta-Humanos, dizem que ele foi um dos operativos mais barra-pesada que o governo já teve. O cara tá envolvido em alguma tramóia da Waller. Eu também não gosto muito do cara. Infelizmente, Eiling é nosso superior, e a gente tem que acatar.
Nesse instante, passos apressados são ouvidos no corredor que leva até a enfermaria. O Identificador de retina scaneia os olhos do General Eiling, que é autorizado a entrar na enfermaria.
- Eiling?? O que está fazendo aqui??
- Calma garoto. Eu simplesmente vim ver como uma das minhas meninas está. Como vai, Rachel? Está melhor? Precisa de algo?
- Senhor Eiling... desculpa. O senhor me acolheu no grupo quando eu mais precisei.. não tinha para onde ir...
- Por que você é conveniente a ele, Rach... ou pensa que está aqui porque ele é gentil? Lembra que a gente foi enviado pra não te deixar cair em mãos erradas? Pois então, este é o preço que você tem que pagar...
- Roy!!!
- Manere o linguajar, meu jovem. Você vem me causando problemas já a algum tempo. Não me force a ter que substituí-lo...
- Por quem?? Grant Wilson??
- E porque não? - Eiling se distancia do casal, e caminha até a porta que abre assim que ele se aproxima. – E por favor, estejam na reunião dentro de trinta minutos.
- Xarope.. mas e aí, Rach.. Cê acha que dá pra ir?
- Sim... estou bem melhor... Meus poderes... Roy, cada vez eu manifesto algo diferente... estranho. Tenho medo de perder o controle.

*****T*****

Sala de Reuniões

Um mesa redonda com uma enorme letra “T” estampada espera alguns dos jovens mais poderosos que já caminharam pela Terra. Eiling aguarda ansiosamente a chegada de sua equipe, acompanhado de King Faraday. - Lhes asseguro, generais. Se vocês querem que o público confie nos Titãs como heróis, é com heróis que eles devem aparecer.
- Antes que eles cheguem, Faraday, gostaria de conversar com você sobre um assunto delicado. Oque eu farei se tiver de mandar a equipe para missões perigosas, que envolvem tarefas sujas ou que possas causar algum incidente?
- Isso não impede de o grupo voltar a usar os uniformes negros de costume. . O público se acostumará a vê-los nos novos trajes, e não desconfiariam deles, caso fossem vistos com os uniformes negros em outras missões. Além do mais, você deveria ouvir mais a Amanda... ela tem ótimas idéias para esse tipo de grupo mais “underground”.

*****T*****

Hargar de Desembarque

Os agentes Grant Wilson, Floyd Wellington e Lester Buchinsky chegam á base no helicóptero dos Titãs, trazendo Joseph Wilson, que escolta um famoso “agenciador de capangas” que trabalha nos arredores de Star City. Ele andou conseguindo homens aparentemente meta-humanos para serem seguranças e leões-de-chácara para inúmeros traficantes e figurões do crime de Gotham City e outras cidades. Mais tarde, ficava-se sabendo que estes homens acabaram mortos, graças a um estranho colapso.
- Pois bem, Sticker... vai falando o que sabe sobre isso, pois a gente não tem muito tempo.
- Já disse.... eu apenas consigo os caras... esse lance de poderes, eu não sei de nada... - Billy “Sticker” Jones responde com uma cara de choro, enquanto limpa o canto inferior de seus lábios, que insiste em sangrar.
- Isso você já disse. – Grant Wilson parece estar sem paciência com o meliante, e arma um soco, quando é impedido por seu irmão, Joseph. - Me solta Joey!! A gente tem que saber onde esses caras arrumam super-poderes. É certo que nenhum desses caras eram meta-humanos antes de aparecerem mortos.
Joseph pede calma, gesticulando ao irmão para que deixe de agredir o homem que está á sua frente.
- Pára de botar panos quentes, Joey. Já morreram cerca de 8 pessoas dentro de 3 meses. Alguém está tentando aperfeiçoar humanos geneticamente, e está usando criminosos para isso. Até agora parece não estar dando certo, mas o dia em que acertarem a mão, nós poderemos ter problemas. – É Lester Buchinsky quem mostra seu ponto de vista. - E tudo o que a gente não precisa no momento, é uma gangue de malucos com poderes.
Com alguns gestos, Joseph pede á Floyd e Lester para que levem o bandido até a sala de interrogatórios.

*****T*****

Sala de Reuniões

Os membros dos Titãs vão chegando um a um pelos corredores, e vão entrando na sala, onde esperam por eles o General Eiling, o relações públicas direcionado a meta-humanos do governo,King Faraday e um estilista chamado Gregório de La Vega.
- Nossa, a festa parece que vai ser animada, tem até palhaço, hein, Eiling?? – Harper já chega com seu comentário ácido, visando atingir o estilista, corando de vergonha seu general.
- Modere seu comportamento, Harper. Esqueceu da conversa que tivemos hoje?
- Desculpe, senhor. Não deu pra perder a piada. - Roy senta-se ao lado de Rachel enquanto fica de olho em Gregório, que o seca com os olhos.
- Pois bem, senhor Faraday? Pode começar.
- Obrigado, General. Muito bem, rapazes e moças. Sou King Faraday. Durante anos, fui o principal agente do Bureau Central de Inteligência, e hoje, trabalho como relações públicas do Departamento de Inteligência em Assuntos Meta-Humanos. Sei que época mudou muito, tivemos uma enorme lacuna depois da Segunda Grande Guerra, onde era raro um “Super-Herói” ser avistado pelas ruas. Mais recentemente, um “boom’ de super-seres começou a pipocar no planeta, e o governo tentou assumir o controle. Como os esforços do governo começaram a não surtir resultado, o governo tentou retaliar colocando o povo contra os mascarados. Mas vimos que tínhamos que trabalhar em parceria com os meta-humanos. Foi então que surgiu a Agência Titã, que começou a recrutar e treinar jovens meta-humanos que poderiam fazer a diferença no mundo. O fato é que a agência não criou um grupo de “heróis”. Criou um grupo de super-soldados. Só que, recentemente, o mundo os viu numa tela de televisão. Sorriam, vocês estão no Youtube! Todo aquele incidente em Washington os mostrou para o mundo. Agora os fatos: vocês gostaram disso. Mas o nosso querido General Eiling não quer perder todo o tempo e o dinheiro gasto com vocês pra que vocês se tornem mais um super-grupo perambulando pelas ruas de Nova York. Ele quer vocês como operativos que , ao menor sinal de problema, vistam seus uniformes e voltem a “perder” suas identidades em nome dos Estados Unidos da América.
- Creio que devemos muito ao Projeto Titã, senhor Faraday. Com certeza, todos aqui concordam, que o objetivo primordial do grupo sempre será defender os interesses do governo. Isso é incontestável. Mas creio que entendi que vocês querem que nos tornemos algo mais.
- Muito perspicaz, senhor Stone. Vocês caíram nas graças do público após aquele incidente no Pentágono. Todos querem saber quem são, de onde vieram, o que farão. Apartir de agora, serão mais presentes ao publico. Serão nossa nova face. Nossa bandeira. Vocês estariam acima de qualquer suspeita no caso de o governo precisar mandar vocês pra uma missãozinha secreta, do qual o povo não gostaria de ficar sabendo.
- Espere! Nós nunca fizemos nada ilegal. – Victor fica alterado.
- Calma, meu rapaz. Supomos que um dia vocês precisem fazer algo de caráter duvidoso. Vocês terão que fazê-lo.
- Isso arruinaria nossa imagem. – É Donna quem diz.
- Mas é para isso que entra o nosso amigo Gregório. Um conceituado estilista latino. Ele desenvolveu trajes mais apropriados ao que a população conhece como “Super-Heróis”. Eles diferenciarão muito bem dos uniformes negros que vocês usam hoje. Se um dia o governo precisar do grupo pra uma missão secreta, é com os uniformes negros que vocês irão. Mas se for pra salvar um gatinho de uma árvore, vocês irão com esses! – Gregório abre um sorriso e puxa uma cordinha, abrindo uma cortina no fundo da sala. Sete manequins aparecem ostentando uniformes coloridos, todos individuais, desenvolvidos de acordo com a personalidade e poderes de cada membros do grupo.
- Não to gostando disso...

Continua...

21/01/2012

Império Primordial - Ventos da Mudança. Parte 4

Mais uma parte da saga de origem do Vento Celestial.
Nesse capítulo mostrarei uma habilidade do personagem principal que surge para deixar as situações mais... Diferentes.
Não perca mais tempo e descubra o que acontece na quarta parte dessa história.

Império Primordial. – Ventos da mudança. Parte 4.


- Eu simplesmente não consigo entender o que aconteceu... Eu...

- Calma, Ashlure, aqui, tome esse cálice de conhaque dos anões. Ajuda a relaxar e você conseguirá falar melhor.

- Obrigado, Feston... Eu preciso mesmo disso...

Depois do mago residente da academia de Aeriun tomar de um só gole e pedir mais, o instrutor, que estava impaciente demais, o chamou de volta ao assunto em questão:

- E então Mago? O que, em nome de Neyjin, aconteceu naquele lugar?

- Sim... – Ele colocou o copo de volta na mesa central da sala do diretor e foi até a janela. Como a sala ficava na mais alta torre da academia, ele tinha uma visão geral de Serenidade. – Vou contar...

XXX

Pouco tempo atrás:

- O Dia da Montaria está chegando... Acho que não vou conseguir e...

Ruan não pôde terminar a frase, pois Vénië o calou pondo de leve um dedo em seus lábios, isso estava se tornando uma prática comum nos últimos dias.

Feito isso ela se afastou e com um sinal, seus colegas começaram a fazer o engenho funcionar. Criado pelos anões e construído por todos, o Engenho do Medo, como foi chamado, consistia numa série de cordas ligadas a um cinturão que o jovem colocava em si. Essas cordas, graças a um grande número de engrenagens e um motor movido a vapor, permitia que os colegas o erguessem no ar, fazendo assim com que ele enfrentasse seus medos.

Esse engenho aliado a técnicas de relaxamento e concentração que os elfos sabiam parecia estar fazendo efeito, não apenas para Ruan, mas para Hellen que começava a lutar com seus demônios internos e a fazer com que a moça aceitasse que dentro de si havia um espírito da floresta chamada de Hallarin.

- CHEGA!!!! Me Abaixem!!!!

- Mais uns dois minutos pessoal – Joriander sabia que o amigo o agradeceria depois.

- Força Ruan!!! – Frisdan se divertia com tudo aquilo e por Tronter ter aceitado a ajuda dela ao construir o engenho do medo e até agradecido! – Se concentra!!!

- Você é um homem ou um elfo?!!!!!! Sem ofensa, Joriander e Vénië...

Apenas Hellen permanecia sussurrando para si mesma:

- Será que ele vai conseguir? – Claro que vai, ele é forte – Sim... Isso ele é mesmo...

Depois de ser abaixado Ruan permaneceu ajoelhado e abraçado a si. Depois se ergueu, olhou para a altura que estava e depois de uns dois minutos, acabou vomitando.

- Um novo recorde!!!!!! Está melhorando.

Ele limpou a boca e depois de se recompor, acabou sorrindo e pediu para irem, em seguida, até a Estalagem do Grifo Dourado comemorarem a “conquista” do amigo. Depois da dedicação de Ruan para que todos se tornassem mais do que apenas companheiros de armas, todos se esforçavam o dobro para conseguir se formar na Academia Aeriun, aproveitando seus pontos fortes, compensando as fraquezas um do outro, trocando confidências (sim, Vénië contou às amigas o que havia acontecido entre ela e Ruan) e passando com notas máximas nos testes seguintes, surpreendendo a todos os instrutores da academia.

Na manhã do Dia da Montaria Ruan leu a carta que havia recebido da mãe: “Filho, você sabe que não sou boa com a escrita, eu queria apenas lhe dizer que estou orgulhosa demais de você, meu Ventinho do Céu, que apesar de seu medo, chegou até onde parecia impossível. Eu o amo e saiba que, não importa o que aconteça, você está sempre em meu coração”.

“Ventinho do Céu...” A mãe o chamava assim desde que ele se conhecia por gente e costumava contar que, no dia do nascimento de Ruan, ela havia sentido uma brisa tão suave e calorosa que o parto acabou transcorrendo praticamente sem dor e no momento de maior necessidade, lá estava sua mãe mandando forças através de linhas tão simples.

Ele ouviu Vénië o chamar pela porta do sanitário perguntando se ele ia vomitar mais e surpreendeu a elfa ao sair de cabeça erguida e com uma postura confiante:

- Estou pronto. Vamos embora.

No Dia da Montaria, os alunos da academia eram levados para o alto de um morro onde uma série de criaturas aladas entre Grifos, Hipogrifos, cavalos alados e até leões alados, esperavam para encontrar aqueles que seriam seus cavaleiros por toda a vida. Um a um os alunos ficavam frente às criaturas, todas alinhadas, até que uma delas se aproximava e permitia ao aluno que a montasse. Em seguida eles se jogavam aos céus e era nessa hora que o vínculo era criado. Se o aluno fosse digno, a montaria o traria em segurança ao chão, se não fosse o caso, o aluno seria dispensado e iria servir o exército da Ilha da Brisa Suave de outra maneira.

De qualquer jeito era uma baixa vergonhosa.

Um a um os amigos de Ruan foram passando no teste: Joriander foi escolhido por um imponente Hipogrifo, Hellen por um Grifo, Tronter e Frisdan acabaram sendo escolhidos pelos únicos leões alados que havia ali. Vénië segurava a mão de Ruan quando se afastou e acabou escolhida por um belo cavalo branco alado e todos estavam comemorando com suas montarias quando Ruan deu um passo à frente das criaturas.

Um grifo se aproximou permitindo que o rapaz afagasse sua cabeça e se abaixando para ser montado para, em seguida, se lançar aos céus, muito mais alto do que qualquer montaria já tinha ido até então.

Tudo ia bem até o Grifo fazer uma pirueta e assim permitir que Ruan olhasse o chão e percebesse a altura que haviam alcançado. O mundo começou a girar e o medo tocou seu coração. Enquanto seus companheiros não percebiam o que acontecia com o amigo, o grifo o lançou para longe surpreendendo a todos que não conseguiam se organizar para tentar salvá-lo.

“Voumorrervoumorrervoumorrer” as palavras passavam rápido demais pela mente de Ruan enquanto ele sentia sua consciência se esvair e seus olhos começaram a se fechar aceitando seu destino quando algo explodiu em sua cabeça “Meu Ventinho do Céu!” Ele conseguiu ver sua mãe, mais jovem erguendo um bebê e agradecendo a Neyjin pela vida que estava em suas mãos.

No momento em que Kandores conseguia subir em seu grifo para tentar salvar o rapaz, sua atenção foi atraída pelos gritos dos outros alunos:

- Olhem!!!

- Por Neyjin, como?!!!!!!

- Será ele um pássaro?!!! Ou um dirigível?

- Não seja idiota!!!!!!

- ELE ESTÁ VOANDO!!!!!!!!!!

Kandores olhou para onde todos apontavam e viu que Ruan flutuava parado em pleno ar. O jovem abriu os olhos e percebendo o que acontecia desejou voltar para a terra com todas as forças e para sua própria surpresa, ele começou a descer lentamente até chegar ao topo do morro. Seus amigos correram ao seu encontro com várias perguntas, mas nem chegaram a alcançá-lo, pois os instrutores mandaram todos voltarem para a academia imediatamente enquanto cuidavam da situação.

Uma vez na estalagem do Grifo Dourado, Ruan era questionado pelos companheiros:

- Gente, o Ruan deve ter uma explicação – e se voltando para o próprio – Não é?

Porém, antes dele tentar responder a Frisdan, Kandores entrou na estalagem e pediu que o rapaz o acompanhasse. Ele fez questão de que seus amigos fossem juntos e o instrutor permitiu, afinal eles também tinham interesse no que ia ser discutido.

No dia seguinte, no salão central da Academia, Feston chamou Ruan e pediu que o rapaz ficasse ao seu lado quando ele ia se dirigir aos demais alunos. Vénië, Tronter, Hellen, Frisdan e Joriander os acompanharam e ficaram um pouco atrás do amigo e do diretor, que começou a falar:

- Meus alunos, depois de muito ponderar e depois de ouvir a história desse jovem, eu decidi que Ruan Sturten, bem como seus companheiros de grupo, assim como todos vocês, estão prontos para se tornarem Guerreiros do Céu – Diante do burburinho geral, Feston pediu silêncio e continuou – Sei que muitos acreditam que o fato desse rapaz voar é derivado de magia negra, mas eu posso garantir que não é. E vocês saberão disso agora. Ruan conte sua história.

- Sim, senhor – Se estava com medo ou receio Ruan não demonstrou. – A alguns anos atrás, meu pai me levou até as minas de Rustar com o propósito de me treinar para que eu pudesse me tornar um Guerreiro do céu. Certo dia eu me afastei dele e entrei num dos vários túneis admirando a beleza dos cristais aéreos, quando um inesperado tremor fez o túnel cair. Fiquei algumas horas soterrado, respirando um ar que não saberia dizer de onde veio e sentindo uma estranha dor no peito. Quando fui resgatado acabei desmaiando e acordei dias depois em minha casa. Passei a mão num lugar que estava sentindo uma pontada de dor e vi isso – Ele retirou a placa peitoral mostrando seu ferimento e o cristal que ele trazia no peito.

Feston tocou no ombro do rapaz e pediu para que ele e seus amigos se sentassem:

- Acreditamos que o fato de ter um cristal do céu cravado no peito, de algum modo, concedeu a Ruan a incrível capacidade de voar e ele próprio renovou seu juramento de usar suas habilidades, todas elas, na defesa da Ilha da Brisa Suave.

Apesar das feições dos outros alunos não terem suavizado, todos começaram a se preparar e se preocupar com o grande teste final do dia seguinte.

XXX

- E então, Ashlure? Conte o que aconteceu durante o teste.

- Sim... Contarei... Contarei como a Tropa Relâmpago venceu um dragão...




CONTINUA...

14/01/2012

Império Primordial - Ventos da Mudança. Parte 3

Começa agora o terceiro capítulo da origem do Vento Celestial.
Nessa história tentei fazer algumas pequenas surpresas a respeito de dois personagens, numa outra viagem ao passado, deixando um acontecimento mais importante para o próximo.
Não tenho muito mais o que dizer sobre a história, apenas o de sempre, que todos gostem das próximas linhas.
Portanto, sem mais delongas, boa leitura.


Império Primordial. – Ventos da mudança. Parte 3.


- Ainda não consigo acreditar... Eu vi com meus olhos e não acredito.

- Alguns dizem que foi obra de um mago negro...

- Eu ouvi falar que poderia ser um desígnio do próprio Neyjin e...

De repente, todos que estavam a conversar na estalagem do Grifo Dourado se calaram. Um grupo de seis alunos da academia Aeriun acabava de entrar e sua mera presença fez com que as pessoas presentes começassem a sussurrar em pequenos grupos isolados.

Eles escolheram uma mesa mais afastada e depois de fazerem seus pedidos ao atendente, resolveram ignorar todos à volta e discutir o assunto pendente:

- Ruan, como você pôde esconder algo assim de nós?

- Eu já disse que estou tão surpreso quanto todos vocês, Joriander. Eu juro.

- Humpf... Como se seu juramento fosse valer algo depois... Depois... Depois daquilo! – Tronter socou a mesa diante de si assustando todos.

As moças do grupo permaneciam caladas, Vénië olhava para o rapaz com um misto de carinho e medo, Hellen fitava a mesa diante de si e Frisdan parecia a única solidária com o amigo:

- Gente, o Ruan deve ter uma explicação – E se voltando para o próprio continuou. – Não é?

O rapaz sentiu todos os olhares que o fitavam agora e mesmo contra sua vontade, começou a pensar naquela manhã em que ele pediu para que todos se reunissem.

XXX

- Precisamos conversar...

- Sobre o quê? – A impaciência do anão conseguia ser pior pela manhã, porém ela refletia o estado de ânimo dos demais. – Eu queria era ficar mais na cama...

- Acho que a resposta é óbvia Tronter. Nós perdemos ontem, nesse mesmo lugar... E por quê? – antes que algum deles respondesse ele deixou claro que era uma pergunta retórica – Por que até agora é como se não tivéssemos aprendido nada. Ainda deixamos desavenças pessoais nos atrapalharem, egos e orgulhos nos afetarem, e quer me crer, que ainda existe muitos segredos entre nós.

Conforme foi falando ele ia olhando em cada semblante ao seu redor, vendo o resultado de suas palavras e constatou que precisaria ir mais fundo para conseguir atingir seu objetivo:

- Temos que ser mais do que simples Guerreiros do Céu, temos que nos tornar amigos. – dessa vez houve uma reação, todos se entreolharam imaginando ser impossível usar aquela palavra entre eles. – Sim... Amigos, pois se um dia acabarmos indo para uma batalha, não quero soldados que nem ao menos conheço o nome para lutar ao meu lado. Quero amigos pelos quais irei lutar até a morte, se necessário, para que voltemos juntos para casa.

- E como faríamos isso? – Hellen perguntou de repente, assuntando seus colegas acostumados com seu silêncio.

Com um sorriso no rosto, Ruan respondeu:

- Primeiro, indo passear. Como hoje teremos o dia livre vamos até a grande feira no centro de Serenidade para nos divertirmos. Ao fim do dia voltamos até esse local, para ver se deu algum resultado ou não. O que vocês acham?

Espantados, desconfiados e intrigados com a sugestão do jovem humano, eles seguiram na direção do centro da cidade. Uma vez lá, a variedade de pessoas e entretenimentos os engolfou e a tensão dos últimos dias pareceu ir embora.

O mais modernos engenhos a vapor surpreendiam aqueles que nunca haviam saído da Ilha, fazendo muitos olhos brilhares diante de dirigíveis ainda mais modernos que as Naus que todos conheciam, ou então de lindas espadaserras que liberavam pouco vapor ao ser acionadas, mostrando também que estavam cada vez mais silenciosas.

As garotas paravam em cada uma das barracas de artigos femininos como joias, roupas e enfeites e a alegria de Vénië foi contagiando suas companheiras, que pareciam demorar uma eternidade em suas escolhas. Ruan flagrou um momento em que a retraída Hellen experimentava cortes de seda e trocava olhares com Joriander, ao passo que percebeu espantado um sorriso no rosto de Tronter ao ver que Frisdan escolhia coisas mais pela praticidade em combate do que pela beleza.

Em seguida eles chegaram até algumas barracas de armas e apetrechos que interessavam mais aos homens. Foi a vez das moças esperarem e se divertirem ao ver o anão experimentar uma roupa bem maior que ele, ou a diversão que Vénië sentia em flagrar Ruan toda vez que esse ia experimentar uma roupa. Perto do fim do dia eles foram até a estalagem do Grifo Dourado, lugar que se tornaria um ponto obrigatório mais tarde.

Conversaram, beberam e até dançaram! O pôr do sol indicava o fim do dia quando Ruan os lembrou de um compromisso prévio. Com caretas eles concordaram, saíram e logo estavam na clareira novamente.

- Não foi tão ruim, não é? – Todos concordaram animados. – Eu acho que o primeiro passo foi dado, mas não poderemos ser uma força respeitável apenas por causa de um dia.

- E o que você pretende? – Joriander estava preocupado, pois Ruan estava fazendo um trabalho de liderança melhor que o dele.

- Que a partir de hoje a gente seja sincero um com o outro e podemos começar de um jeito simples: admitindo nossas falhas e pedindo ajuda quando precisarmos.

Um silêncio pesado caiu entre eles, ficarem amigos parecia bem fácil comparado com aquilo. Percebendo que seus colegas, agora possíveis amigos, reagiam como o esperado ele concluiu:

- Daqui a umas semanas iremos passar pelo teste da montaria...

- E o que tem de mais nisso? É o momento que todos os Guerreiros esperam.

- Isso mesmo Jor, eu espero conseguir que um Grifo me aceite.

- Não vai ser difícil Vénië, sua alegria é contagiante...

- Obrigada Fri. Eu aposto que o Trontinho vai agarrar um pela força. Hihihihihihi.

- Eu já disse como detestei esse apelido?

Todos riram exceto Ruan, quando perceberam isso, foi Hellen quem perguntou:

- Qual o problema Ruan?

- Eu... - ele abaixou a cabeça, respirando fundo, criando coragem. – Eu tenho medo de altura.

Silêncio. Depois, todos quiseram falar ao mesmo tempo “Como?” “Que absurdo” “E agora?” “Um Guerreiro dos céus com medo de altura? Um absurdo”

- Essa é minha tentativa para nos unir. Eu abri meu coração e admiti que precisarei muito da ajuda de vocês. O que faremos agora?

- Eu ouvi de meu pai que não seria capaz de me tornar nada além de um mineiro, na verdade ele espera que eu falhe... – Para surpresa geral Tronter foi o primeiro a falar. - Por mais difícil que seja admitir isso, acho que esse foi o motivo pelo qual eu tive dificuldade em aceitá-la Frisdan... Afinal eu já acho difícil para que eu me torne um Guerreiro, que dirá uma mulher e...

- Isso foi um avanço e tanto Tronter... Eu só queria que os outros da academia vissem que eu posso ser uma guerreira tão boa quanto eles... É tão difícil. O preconceito dos anões é imenso...

- Acredite, Frisdan, não será tão difícil daqui em diante – Joriander se levantou e parou diante de Ruan. – E não será tão difícil quanto o que vou dizer: Ruan, você é o líder agora. Eu me contento em ser o melhor guerreiro de todos. Vi como você se esforçou para que a gente começasse a criar vínculos e deu resultado, eu pensei que ser líder seria apenas comandar soldados durante um combate e agora vejo que estava errado. Completamente errado.

Antes dos demais esboçarem uma reação, Vénië os surpreendeu com os olhos mareados:

- Puxa... Incrível o que um pouco de bebida faz com as pessoas... Aí estão vocês abrindo os corações e eu quis me tornar uma Guerreira apenas porque não aguentava a vida das outras elfas, tão castas e puras... Eu quero viver e viver intensamente. E você Hellen? Quais os seus problemas? – A elfa parou de falar ao ver o semblante da jovem.

Ela estava séria demais e quando começou a falar era como se não fosse a mesma pessoa e de fato não era:

- Hellen? Perdão mas ela não está aqui. Eu sou Hallarin. – Apesar do assombro geral, a “recém-chegada” n]ao parou de falar. - Não se preocupem, Hellen não é louca ou possui dupla personalidade. Explicarei desde o começo: A casa onde Hellen nasceu não era um exemplo de lar feliz. Seu pai era um homem violento que chegava do trabalho e espancava a mãe dela por motivos pífios, desde o jantar não estar pronto a uma poeira que ele visse em um móvel. Hellen sofreu abusos diversos e... Sim, pelas suas feições, vocês adivinharam o que ele fazia quando a mãe dela não estava em casa.

Todos se espantaram ainda mais e Hellen/Hallarin continuou:

- Certa vez, cansada das agressões, ela havia decidido acabar com sua vida e foi para uma clareira perto de casa. Depois de cortar os pulsos ela ficou caída à espera da paz que ela tanto queria. Foi então que eu apareci. Sou, na verdade, um dos espíritos da Floresta da Virtude. Neyjin diz que toda a vida tem uma função e eu vi essa verdade em Hellen. Ainda não era a hora dela e eu envolvi seu corpo, curei seus ferimentos e dei forças para que ela continuasse a viver, mas aconteceu algo que eu não previra, ficamos unidas de maneira total. Hellen voltou para casa e teve um acesso de ódio que quase resultou na morte de seu pai. Eu consegui impedi-la, mas estava cada vez mais difícil controlar seus rompantes de raiva. Os pais dela decidiram mandá-la para a Aeriun e aqui estamos. A surra melhorou o modo de agir do pai dela e com os ensinamentos da academia ela desenvolveu um pouco mais de controle, mas às vezes isso falha. No outro dia eu não consegui impedir sua fúria de vir à tona contra aqueles golens...

- Isso é incrível. Se não fosse a voz diferente eu não acreditaria e...

- Não! – Vénië se ergueu e se colocou diante da garota. – Eu vim de Virtude e digo que isso é verdade. Já conheci muitas pessoas na mesma situação.

- Será que podemos ir embora?- A voz mudou de novo e era Hellen quem falava agora. – Eu fico muito cansada quando Hallarin se manifesta desse jeito...

Foi quando todos perceberam como era tarde e que se não voltassem logo, acabariam se encrencando. Nos dias seguintes eles começaram uma nova rotina, ficavam juntos o máximo de tempo se conhecendo, treinando e se concentrando no problema mais imediato: o medo de alturas de Ruan.

E o dia finalmente chegou... E após certo acontecimento surpreendente, os amigos se reuniriam na taverna preferida, tendo uma séria conversa que decidira seu futuro.



CONTINUA...

07/01/2012

Império Primordial - Ventos da Mudança. Parte 2

E eis que chega o segundo capítulo da saga de origem do Vento Celestial.
Na época em que o original foi escrito eu estava testando idas e vindas temporais para contar a história, bem como pensado em capítulos menores para serem lidos mais facilmente pelos usuários que não tem muito tempo para ficar na internet.
Espero que mais esse capítulo agrade a todos que disponham de alguns minutos para conferir.
Portanto, sem mais delongas, boa leitura.






Império Primordial. – Ventos da mudança. Parte 2.


As criaturas chegavam cada vez mais perto, separando a equipe. Eram golens feitos de folhas e galhos conjurados pelo mago Ashlure. Ele era o encarregado pelos treinos dos alunos da Academia Aeriun. Com seu longo manto de cor acobreada que cobria sua mão de metal, ele mantinha um ar de mistério, que os alunos adoravam e ao mover seu cajado metálico, as criaturas atacavam.

Numa clareira perto de Serenidade, a cidade humana da Ilha da Brisa Suave, o grupo de Ruan estava sendo derrotado e com certeza seu desempenho acabaria rendendo um grande sermão mais tarde.

- Você entrou na minha frente!! - Tronter, o anão, quase acertou uma de suas companheiras. – Por isso eu sempre digo...

- Que anãs não deveriam ser guerreiras. Eu já sei!!! - Frisdan rebatia as ofensas do compatriota.

- Cuidado Vénië!! – Ruan quase perdeu sua espadaserraserra ao defender a elfa.

- O que faremos Joriander? – Hellen, a outra humana do grupo se dirigia para aquele que haviam escolhido como líder.

- Eu... - Ele se defendia como podia, usando seu escudo, do ataque violento de outro inimigo. – Eu... Não sei... Eu...

Vendo a indecisão do colega e apesar da relutância que sentia, Ruan começou a dar ordens:

- Rápido! Se desvencilhem dos inimigos e vamos todos em direção ao morro!! – Vendo a indecisão dos colegas ele continuou – Já!!!!

O grupo acabou obedecendo e logo se encontravam todos de costas para o morro. Ruan era o centro das atenções agora e ele começou a explicar o que tinha em mente:

- Vamos fazer um meio círculo de costas para o morro. Desse modo nossa retaguarda estará protegida. Essa formação será a diferença entre derrota e vitória, não podemos deixar que eles quebrem essa formação entenderam? Destruam as criaturas que vierem em suas direções e quando possível, do seu colega do lado. Lá vem eles, preparem-se!

Do alto do morro, o mago e o instrutor da academia acompanhavam o desempenho dos alunos. O sorriso de Kandores demonstrava a sensível melhora que os alunos tiveram nesses últimos meses, mas ele sabia que não era o bastante. Eles ainda não agiam como uma equipe de verdade. Ele mantinha-se imóvel, olhos de águas atentos a tudo que acontecia, a mão direita segurando o cabo da espadasserra, caso fosse necessário alguma intervenção.

As criaturas caiam diante da formação sólida que encontraram pela frente. Quando um dos alunos usava o escudo para defender, o companheiro do lado atacava com a espadaserraserra. Desse modo a vitória parecia certa, mas uma nova discussão entre os anões fez com que Hellen fosse ferida no ombro resultando em algo inesperado.

A moça, que era sempre tão serena e tranquila, de repente saltou sobre um grupo de criaturas como uma louca, desfazendo assim a formação e permitindo que eles fossem cercados e dominados.

Com um movimento das mãos de Ashlure, os inimigos se desfizeram em montes de folhas secas e enquanto o mago levava a jovem furiosa para outro lugar tentando acalmá-la, Kandores se aproximou para falar sobre o exercício com os demais:

- Vocês sabem o motivo dessa derrota?

O silêncio dos jovens dizia tudo, mas isso não impediu que o instrutor falasse durante três horas sobre todos os defeitos do trabalho em equipe que eles tiveram, decidindo em seguida que os treinos diários iriam aumentar.

Bem mais tarde, no dormitório, enquanto todos estavam praticamente desmaiados depois do longo dia, Ruan aproveitava o momento de privacidade para tomar seu banho. O banheiro era quase do tamanho do quarto. De um lado estavam os sanitários, todos separados, pois eram utilizados tanto por homens quanto por mulheres. Do outro lado havia pequenas caldeiras a vapor para aquecer a água para os banhos, no centro uma grande tina era usada para que os alunos se lavassem. Depois de tirar o sabão do corpo ele revolveu relaxar usando os sais que Vénië havia trazido de casa.

Já dentro da tina, aproveitando o calor da água e o agradável perfume que tomava todo o ambiente, ele foi se lembrando das coisas que haviam acontecido desde que ele chegara à academia.

XXX

Depois do beijo que o rapaz e a elfa trocaram, todos se apresentaram: Ruan havia contado sobre seu pai e o sonho que tinha de ver o filho como um Guerreiro do Céu, Tronter queria ser algo além de um mineiro, ele queria conhecer e voar pelos céus, Frisdan queria provar que as mulheres anãs podiam ser grandes guerreiras, Joriander disse que seria o maior de todos os Guerreiros, Hellen falou pouco, algo característico dela e só disse que queria ficar mais forte e Vénië disse apenas “Por que não?”

Desde aquele dia eles passaram por muitos testes. De perícia, de força, concentração, lutas armadas ou corpo a corpo. Suas notas individuais eram ótimas, mas o problema era o grupo em si. Os anões não se entendiam, Hellen parecia cada vez mais inibida, Joriander, que fez questão de ser o líder, não era tão bom como dizia e Vénië, bem, o que se podia dizer dela? Talvez que fosse muito rebelde e não conseguia seguir as ordens de alguém que ela não respeitasse totalmente.

Naquele teste houve um momento em que eles agiram como um grupo. O que Ruan não queria era passar por cima da “autoridade” de Joriander, mas se esse fosse o preço a pagar para que ele se tornasse um Guerreiro do Céu, ele faria isso. Tal pensamento o surpreendeu, afinal esse sempre foi mais o sonho de seu pai que o dele. O que havia mudado?

XXX

Quando ia começar a pensar no motivo dessa mudança, Ruan ouviu o som da porta do banheiro ser trancada, ele abriu os olhos e viu Vénië encostada na porta, com a chave na mão e trajando apenas uma toalha. Sem sair da tina, pois sua própria toalha estava longe, ele disse:

- Eu demorei demais? Desculpe... Eu já vou sair... Hã... Eu pensei que todos estavam dormindo e...

A elfa deixou a toalha cair e se aproximou de forma sensual, sem tentar disfarçar a sua nudez e antes que o jovem falasse algo, ela o fez calar colocando delicadamente um dedo em seus lábios. Depois colocou as mãos na própria nuca exibindo seus seios, com um sorriso malicioso na boca. Ela contornou a tina até ficar atrás do rapaz que a perdeu de vista.

- Vénië... – Ele fez menção de se erguer. – Talvez seja melhor eu sair e...

- Eu disse que queria que você saísse? – Ela sussurrou perto do ouvido dele, provocando um arrepio. – O que eu quero é outra coisa...

Então, sem aviso, ela entrou na tina e começou a se aproximar dele tocando seus pés, depois as coxas e quando ela o tocou de forma mais íntima ele se levantou num salto e ela finalmente conseguiu ver o peito do rapaz, que este tentava esconder sob a água.

- Nossa! O que aconteceu com você?

O susto da elfa era legítimo, pois no lado direito do peito de Ruan um tipo de cristal azulado podia ser visto, pois tomava quase toda região na frente do coração, porém, ele parecia cravado na pele e ao redor crescia um tipo de cicatriz cobrindo os lados do mineral. Parecia um ferimento antigo.

- É um Cristal das Alturas? Mas como?

- Eu não quero falar sobre isso, acredito que o susto, provavelmente foi demais e acho que o que você procurava não te interessa mais. Portanto eu... – Após perceber que estava falando de forma descontrolada, ele deu as costas para a elfa e saiu da tina.

Já estava pegando sua toalha para ir embora quando foi impedido por Vénië que tocou a mão dele delicadamente fazendo com que ele se virasse e a encarasse:

- Eu não perdi a vontade...

Ela o fitou com os olhos semicerrados e antes que Ruan pudesse fazer algo, ela se abaixou e começou a beijar e lamber a cicatriz. Isso foi demais para o rapaz, que até então lutava contra o desejo que o invadia. A abraçou e quando seu corpo nu entrou em contato com o belo corpo da elfa, ele não conseguiu se controlar mais.

Os beijos ficaram cada vez mais intensos, suas mãos começaram a explorar o corpo um do outro, a princípio com receio, mas cada vez com mais e mais vontade e quando não aguentaram mais, ele a deitou no chão, ela o recebeu com um imenso carinho e assim que ele a penetrou ela soltou um gemido de gozo como alguém que esperava aquilo a muito tempo.

Fizeram sexo não apenas uma, mas duas vezes quase seguidas, pois ambos estavam sentindo esse desejo havia muito tempo e agora podiam, finalmente, dar vazão a tudo o que os estava consumindo. Mais tarde, ambos estavam abraçados dentro da tina e perdidos em pensamentos. O silêncio reinava até que Ruan começou a falar:

- Vénië, eu...

- Não, não fala nada... Sei que você não sente por mim o mesmo que eu sinto por você, mas eu queria isso demais. Desde que eu te vi pela primeira vez... Sei que, possivelmente, nós não iremos ficar juntos, mas pelo menos teremos para sempre esse momento, portanto não vamos estragar isso... Por favor...

Ruan nunca havia visto a elfa daquele jeito e apenas a abraçou. Eles ficaram assim até a água começar a esfriar. Então se vestiram e foram dormir. Um último toque de suas mãos e eles se deitaram.

No dia seguinte, depois do café da manhã, o jovem humano pediu para que seus colegas o acompanhassem até o local do exercício do dia anterior e lá chegando todos se sentaram ao redor de Ruan.

- Precisamos conversar...


CONTINUA...

06/01/2012

Pipoca Amanteigada: Conan: O Bárbaro - O filme é tão ruim quanto a sobrancelha do Momoa é bem feita


Conan: O Bárbaro - O filme é tão ruim quanto a sobrancelha do Momoa é bem feita



Por Lucas "Matrix" Bretas

Quando anunciaram o remake/reboot de Conan, eu fiquei até empolgado. Tinha chances de ser um filme bem legal. Mesmo que não fosse ótimo poderia ser divertido.

Achei Jason Momoa - o Khal Drogo de Game of Thrones  e o Rono Dex de Stargate Atlantis - uma boa escolha pro papel. Até mesmo porque o Conan “de verdade” era um guerreira esperto e até mesmo selvagem, e não um fisiculturista que mal sabe falar - sim Arnold Schwarzenegger, estou falando de você.



Mas aí saíram as primeiras imagens e os comentários sobre a sobrancelha do Momoa, que estava bem feita de mais e talz. Mas mesmo assim minhas esperanças não acabaram.
Aí saiu o trailer.

As esperanças foram embora. Explosões, sério?

Mas mesmo assim decidi dar uma chance ao filme, porque a fotografia era legal. Claro que não me arrisquei a ir no cinema. Gastar R$11,00 - sim, esse o preço para estudantes; e sim, foi em 3D - num filme que eu “não tinha certeza”?

Baixei e assisti.

Se tenho alguma a reclamar? Óbvio. Tudo.

Quando comecei a ver, achei até interessante. Conan criança e tudo mais, a história se desenvolvendo e o garotinho que o interpretou - Leo Howard - o fez muito bem. Na verdade, os vinte minutos de Conan criança são bem melhores do que os outros 100 minutos de Conan adulto.  Ron Perlman  é o pai de Conan, e ficou até bem no papel. Temos também neste trecho a introdução dos vilões do filme.



Sobre eles agora. Muito mal desenvolvidos. Stephen Lang e Rose McGowan representam Khalar Zym e Marique. Um pai e sua filha. A relação dos dois é realmente estranha. Há até mesmo uma cena em que Rose McGowan - que em momento algum convence como bruxa fodona - parece se insinuar para seu pai, mas esse momento acaba ficando no ar e sem explicações. Stephen Lang, que fez um ótimo trabalho no filme-pura-diversão-e-nenhum-roteiro “Avatar” e na série “Terra Nova” está super sem graça aqui. Seu Khalar Zym, apesar de bem interpretado, acaba ficando sem sal.






Sobre Momoa. O cara fez um trabalho legal em Game of Thrones, e tudo mais, mas lá ele mal falava. Aqui, onde a interpretação era uma das coisas principais, ele falha feio. Sem expressão e usando um tom de voz desnecessário e ainda com aquela sobrancelha, eu não consegui levá-lo a sério em momento nenhum.



Momoa, faz par com Rachel Nichols - a bela Tamara, - mas o romance dos dois é tão estranho que tem um momento em que Conan chama Tamara de “puta”, e ela se sente ofendida, mas no momento seguinte ela corre para os braços do herói numa ilha, onde eles facilmente encontraram uma caverna com cama e tudo. Aliás, Rachel atua tão bem como uma porta.





O figurino é razoável. Rose McGowan poderá usar sua fantasia de bruxa para participar do desfile das escolas de samba no Carnaval de 2012. E Momoa com certeza morreu de calor com suas fantasias. O sol era escaldante, mas ainda assim Conan usava casacos de pele para se proteger do frio(?), o que acabou o deixando com cara de cafetão russo.



As cenas de ação são simplesmente jogadas durante o filme, e se não fossem por elas - que são até bem dirigidas - o filme se tornaria ainda mais insuportável.

A fotografia e os efeitos especiais são bem legais. Mas mal interferem no resultado final com tantos pontos negativos.





A história é a de sempre. Garotinho assiste a morte do pai e se transforma em um guerreiro renegado, que só busca vingança. Aí ele descobre que o homem que matou seu pai era agora um Rei e poderoso feiticeiro, então parte para sua batalha. Mas é claro que tem uma garota, que é justamente quem o rei-feiticeiro-assassino procura, e é claro que ela vi se “apaixonar” por Conan. Agora o resto é spoiler, se quiser assista por sua conta e risco.

Conan: O bárbaro, é um filme que não vale à pena o seu tempo. Assista o primeiro com o Schwarzenegger que você vai tirar mais proveito.

Nota: 4,5

Agora só uma curiosidade. Esse filme do Conan foi tão ruim e a escolha das duas coadjuvantes foi tão imbecil que ferrou as chances do filme da Red Sonja que estava sendo produzido. Rose McGowan já estava quase certa pro papel de Sonja, assim Rachel Nichols  estava sendo cotada.

Bem, espero que ainda saia, porque estava nas mãos de um diretor até legal - Robert Rodriguez.