Nesse conto teremos uma grande batalha contra um... Dragão!
Acho que nada mais precisa ser dito não é?
Portanto, boa leitura e até o próximo capítulo

Império Primordial. – Ventos da mudança. Parte 5.
Enquanto vê o mago Ashlure deixar sua sala, ainda abalado pelos acontecimentos do dia anterior, Feston, o diretor da Academia de Aeriun, se voltou para seu armário e começou a se vestir para a cerimônia de formatura que aconteceria logo. “Foi algo de extraordinário, quem diria que aquele grupo poderia passar por algo assim e sobreviver?” era o que ele pensava enquanto se dirigia para o grande campo onde estavam os formandos, suas famílias e convidados de todo o Império Primordial.
Um a um, os alunos, agora finalmente formados, iam recebendo outra vez suas espadaserras e escudos, mas, dessa vez estavam todos trajados com os uniformes de verdadeiros Guerreiros do Céu.
Quando os integrantes da já famosa Tropa Relâmpago se ergueram, foram ovacionados por todos os presentes. As marcas de sua última vitória ainda eram visíveis: Tronter e Frisdan apresentavam vários ferimentos chamuscados no rosto, Hellen tinha o braço imobilizado numa atadura, assim como Vénië, que apresentava um olho roxo também, Joriander estava com uma perna quebrada e Ruan exibia com um corte no lábio, um curativo sobre o olho e uma mão enfaixada. Todos se sentiam envolvidos pelas palmas, mas nem isso impediu que suas mentes voltassem ao dia do grande teste.
XXX
Como todo segredo em uma academia o “grande teste” era sabido por todos. Sabiam que era uma espécie de brincadeira dos instrutores, que pediam para o mago Ashlure preparar esdrúxulos oponentes para que os alunos mais se divertissem do que qualquer outra coisa, afinal o verdadeiro teste era a escolha da montaria. No ano passado o mago invocou uma legião de golens, tudo seria simples se os golens não fossem feitos de fezes. Desnecessário dizer como a formatura foi inesquecível no dia seguinte, por conta do aroma que pairou no ar durante a cerimônia.
Reunidos entre dois paredões de rocha, os alunos conversavam animadamente quando Ashlure apareceu no topo de um dos lados:
- Alunos!!! – Ele adorava uma entrada dramática. – Hoje deixarão de ser crianças e se tornarão adultos!!! Preparem-se para enfrentar um horror ancestral!!!!!
Fazendo gestos exagerados o mago arrancava risadas dos alunos, exceto de uma. Hellen parecia apavorada e quando questionada por Frisdan ela falou muito baixo, quase num sussurro:
- Tem algo errado...
O trovão ouvido em seguida, mostrou a verdade nas palavras da jovem. O céu escureceu de repente e apenas raios iluminavam todo o lugar, o mago começou a sentir seus braços dormentes, o controle de seu corpo escapar-lhe e viu horrorizado um enorme portal surgindo na frente dos alunos. O mago desmaiou e um momento de silêncio antecedeu o surgimento de um enorme dragão vermelho.
O monstro parecia tão surpreso quanto os alunos diante dele, todos parados por alguns instantes até que o dragão fizesse uma expressão de dor que rapidamente foi substituída por uma de ódio, enquanto pequenos rastros de fumaça começavam a subir dos seus orifícios nasais.
O pânico se espalhou, os alunos não sabiam o que fazer e o primeiro ataque do monstro, uma baforada de fogo, lançou por terra vários deles, que não pareciam estar vivos. Ruan liderou seus colegas e eles escaparam do segundo ataque, as garras da fera pegaram de raspão no escudo do rapaz, que acabou caindo de cara no chão. Sentindo o gosto do sangue que escapava do lábio cortado e uma dor imensa na mão que segurava o escudo, Ruan os guiou até uma caverna próxima, Tronter foi o primeiro a dar voz ao que todos sentiam:
- Pelo jeito as coisas não aconteceram com era previsto, não?
- Com certeza. E o que vamos fazer agora, Ruan?
- Calma Joriander... – Vénië já estava a lado do amigo. - Como está a sua boca, Ruan? E a mão?
- Nada demais... Me deixem pensar... – Os relâmpagos lá fora iluminavam a caverna e o rugido da fera fazia tudo tremer. – Já sei. Mas é arriscado.
- Confiamos em você Ruan.
Agradecendo o voto de Frisdan, o rapaz explicou o que passava pela cabeça dele. Todos se entreolharam e já não pareciam tão confiantes.
- Lutamos muito para chegarmos até aqui... – O líder do grupo resolveu então tentar encorajá-los. - Sei que um dragão, de fato, parece um inimigo invencível... Mas enquanto estamos nos escondendo aqui, os outros alunos podem estar morrendo lá fora. Não sei quanto a vocês, mas eu acho isso inaceitável. Não lutei tanto para morrer aqui, dentro de uma caverna, prefiro morrer nos céus enfrentando esse dragão e o meu medo de voar. Lembram que os outros alunos faziam questão de nos lembrar a toda hora que não havíamos escolhido um nome para nosso grupo? – Os outros assentiram se mostrando mais animados. – Pois eu sugiro que escolhamos Tropa Relâmpago. Morreremos com esse nome, tendo os céus por testemunha... Iremos vencer ou morrer, não importa, contanto que estejamos juntos! Juntos até o fim! Vocês estão comigo?!
Silêncio, um silêncio incômodo até Tronter quebrá-lo de novo:
- Quanta besteira... – Ele se levantou, preparou as armas e continuou. – Ainda bem que você é um guerreiro e não um orador. Acha mesmo que iria lá para fora sem nós?
Todos se levantaram e começaram a caminhar na direção da saída, deram as mãos num tipo de despedida, caso o pior acontecesse e, sentindo o cheiro de carne queimada e destruição que vinha de fora, se lançaram ao ataque:
- Lutem até o fim, Tropa Relâmpago! – A ordem de Ruan ecoou por todo o lugar.
Os feridos voltaram seus olhares aos guerreiros que pareciam ansiosos pela morte, mas que lhes daria tempo. Aqueles que podiam andar começaram a ajudar quem estava caído, saindo assim do espaço do combate.
Vénië e Hellen seguiram pelo flanco direito do dragão, visando uma de suas patas dianteiras, Joriander, usando de sua incrível agilidade, escapou de uma baforada de fogo e seguiu para uma das traseiras. O monstro ia atacar novamente, quando sua atenção foi atraída pelo grito de Tronter e Frisdan, que corriam de frente para ele acompanhados de Ruan. Este empunhava sua espadaserra com as duas mãos.
O dragão hesitou e as garotas enterraram suas armas na carne do monstro, bem como Joriander fez com a outra pata. Com um urro de dor, ele os lançou de encontro aos paredões, causando graves ferimentos nos guerreiros que, ainda assim, continuavam tentando acertar o corpo do monstro. Nesse meio tempo os outros chegavam perigosamente perto, mostrando claramente que visavam acertar o peito do dragão e um jorro de fogo foi a melhor alternativa de defesa do monstro. Exatamente o que Ruan esperava.
Os anões pegaram os escudos de Ruan e Joriander que, por serem maiores do que os deles, puderam protegê-los do pior do mar de fogo que era lançado contra os três. Enquanto isso, Ruan saltou aos céus, seu semblante totalmente sério e concentrado, que seria uma característica marcante nos anos vindouros.
Ele se colocou sobre a cabeça do dragão e, apesar da dor lancinante que vinha de sua mão quebrada, partiu como um projétil para dar o golpe fatal no monstro, mas esse conseguiu esquivar, atacando em seguida. Ruan acabou atingido no rosto, causando um ferimento no olho, mas mesmo com a visão prejudicada, ele percebeu uma brecha e começou a ir em direção do inimigo outra vez quando aconteceu algo inesperado:
- NÃÃÃÃOOOOO! – O Dragão gritou de uma forma quase humana, o significado das palavras ecoou nas cabeças de todos os presentes. – Jokarion não será um títere!
Ruan deteve seu ataque a tempo de ver o monstro abaixar a imensa cabeça, como que para recuperar o controle, assim ele pôde ver um estranho aparelho na base da nuca de Jokarion. Um instante de dúvida e o rapaz decidiu atacar o objeto, cortando-o ao meio, resultando numa chuva de vapor e engrenagens. O urro de dor do monstro foi a última coisa que ele ouviu antes de perder os sentidos.
Horas depois, na enfermaria da academia, Ruan soube que, uma vez livre do controle mental, Jokarion simplesmente deu as costas ao cenário de destruição ao seu redor e foi embora, porém, antes disso ele pareceu lançar algum tipo de magia de cura poderosa evitando que houvesse alguma morte entre os alunos.
XXX
Depois da cerimônia, a tropa Relâmpago levou seus familiares para a Taverna do Grifo Dourado e todos se divertiram ao máximo. Hellen e Vénië cantaram, Tronter, depois de muita cerveja, acabou dançando com Frisdan, que ficou muito embaraçada. Num canto, Joriander foi falar com Ruan que permanecia à parte da festa:
- O que aconteceu destemido líder? – o desdém era facilmente percebido na voz do elfo. – Vencemos um dragão!! Um dragão!!! Bardos irão cantar sobre isso por toda a nossa vida!
- Eu sei... Estou contente, mas ainda é difícil conceber que existe por aí uma força capaz de controlar um dragão, lançá-lo contra nós e derrubar Ashlure daquele jeito... Você já pensou nisso?
- Sim, mas é por isso que eu achei uma boa ideia te deixar como o líder... Assim as preocupações ficam para você. – Ele piscou para o amigo, enquanto se afastava. – Afinal eu não pretendo ficar perdendo a festa. Vamos lá!!!
Os dois voltaram para os amigos e as garotas os fizeram cantar com elas, a noite de fato prometia. Enquanto isso um estranho vulto os observa pela janela:
- Sim... Aproveitem a festa... Logo a verdadeira tempestade virá...
Continua...






























