Motoqueiro Fantasma #03: Pelo Caminho dos Suicídas
“Ok. estou ferrado!” Foi o pensamento de Johnny Blaze quando este viu o que tinha a sua frente. Talvez o encontro com um símbolo da má sorte tenha feito isso com a sua vida. Olhou para os lados, o vazio daquela floresta horripilante o fazia ter calafrios. Como ele chegara ali? Nem mesmo ele sabia a resposta. Tornou a andar lentamente, alerta para qualquer coisa que viesse a se mover naquele terreno com um ar de sofrimento e desespero.
Ainda estava no Inferno. E ele estava ferrado.
Olhou para a árvore mais estranha que ele já havia visto em sua vida. As ondulações no centro do tronco formavam um rosto, um rosto totalmente apavorado. Olhou para o chão em que pisava assim que um misterioso “Creck” se fez ouvir. Olhou lentamente para o que ele havia pisado. Uma arma. Um calibre 38. nova e sem arranhões. Pegou a arma nas mãos e examinou-a. O metal reluzia assim que um brilho misterioso batia sobre o armamento.
Passos atrás de Johnny fez com que ele virasse e apontasse a arma contra o espião, porém logo ele abaixou-a e olhou para aquele homem magro, de uma cor cinzenta, fedendo a enxofre, com os olhos de quem não dormia há séculos. O homem tinha um sorriso no rosto e estendeu a mão, dizendo em seguida:
- O senhor a achou! Muito obrigado! Faria o favor de entregá-la a mim agora?
O Motoqueiro olhou para aquele homem e novamente para a arma. Ganhando confiança, ele a entregou nas mãos daquele sofrido ser, que olhou o item com os olhos de quem descobriu um novo brinquedo. Verificou se estava carregada e sorriu para o espírito da Vingança.
- É tão bonita! E ao mesmo tempo, tão mortal. Sabe... Eu acho a vida um saco. E por isso estou aqui. Estava procurando-a a muito tempo. Obrigado.
O homem acenou positivamente com a cabeça e apontou a arma para a própria cabeça, e assim atirou. Assim que seu corpo caiu inerte ao chão, o Motoqueiro correu para socorrê-lo, porém ele já havia sumido, num piscar de olhos. E então ele percebeu o que estava ocorrendo ali. Aquele homem, um suicida consentido, deveria passar o resto da eternidade se matando do mesmo jeito que ele se matou quando ainda havia ar em seus pulmões.
A caveira flamejante balançou a cabeça negativamente e ajoelhou-se sobre a relva pútrida, com aparência de cadáveres. Levantou-se lentamente e voltou a andar, olhando para os lados e vendo que, mesmo que o vento fosse escasso, as árvores pareciam ter vida própria, balançando de um lado a outro.
Gritos desesperadores invadiram a mente de Johnny, fazendo com que ele se ajoelhasse novamente e esmurrasse o chão com toda a força que ele dispunha. Não queria estar ali,
não queria viver no inferno assim como todos aqueles que fizeram o mal para a sociedade. Queria ser livre, queria viver novamente na Terra, mas ao mesmo tempo não queria perder seus poderes, seu ego falava mais alto do que qualquer coisa.
E então uma pergunta assolara a sua mente. Como ele havia chegado naquela floresta estranha? Ele não se lembrava de nada. Apenas se viu caminhando naquele lugar tortuoso e com um ar pesado. Deveria estar acostumado a andar pelo inferno. Mas não estava acostumado a passar por aquele território onde parecia que toda a sua alma de herói não representava nada, onde a sua psicologia seria posta à prova.
“Johnny deverá ir à um psicólogo e dizer que vagou pelos nove círculos do inferno como um cavaleiro fantasma, derrotando todos os duques...” Foi o pensamento que arrancou uma risada interior daquele Motoqueiro Fantasma. Ele estava ficando louco, e já podia sentir isso. Olhou novamente para o lado e viu milhares de pessoas andando em caminhos paralelos. Tinham uma aparência tremendamente sofredora. Andavam cabisbaixos e com os ombros jogados para frente. Parecia não ter mais fé de que um dia poderiam sair dali.
Olhando para aquela cena assustadora e deprimente, o Motoqueiro não viu que o terreno ali acabava e começava um tipo de rio de aparência e cheiro estranho. Braços se estendiam para fora daquele líquido e se debatiam, tentando sair dali, porém nada conseguiam fazer.
O Motoqueiro Fantasma tentou desviar o olhar, mas uma besta alada, que parecia um demônio, que de fato deveria ser, passou rasante sobre o lago, com uma corda em suas mãos. Um ser, indistinguível de homem ou mulher, colocou a cabeça para fora d’água, e o prazer em seus olhos foi imenso. Mas logo isso acabou quando o demônio amarrou a corda no pescoço daquela pessoa e a enforcou, logo depois colocando-a nos galhos de uma árvore.
O homem, que depois de ter saído da água se mostrou ser do sexo masculino, não se debateu, e aos poucos, a corda se tornara um galho, e o homem se tornou uma criatura coberta de limo, pálida e fria.
O demônio avistou o Motoqueiro e se aproximou dele com suas asas de morcego com vários furos. Ele não tinha chifre, mas no lugar da barba, havia um osso pontiagudo. De sua mão saiu mais uma corda. Ele sorriu para o espírito da vingança e disse:
- Você deve ser aquele que todos disseram para impedir de realizar a travessia. – sua voz era grossa e aterradora, menos para o Motoqueiro.
- E você deve ser aquele trouxa que acha que pode me impedir. – caçoou o herói.
- Oras, eu sei que eu não posso te deter. Mas não custa tentar, não é? Aliás, no meio destas árvores, tem uma pessoa que você deve conhecer. – disse o demônio, estralando os dedos.
Nesse exato momento, um caminho por entre as árvores se abriu, e com receio, o Motoqueiro prosseguiu por aquele caminho cheio de dor e sofrimento.
No final do caminho, erguida sobre um lago do mesmo tipo do outro, estava uma árvore de aparência velha e pútrida, sem falar no cheiro. O Motoqueiro Fantasma não entendeu nada do que estava acontecendo. Olhou para o demônio que estava ao seu lado, e este sorriu com seus dentes podres e afiados. A criatura parecia olhar dentro da alma daquele espírito da vingança.
De repente, como se a árvore adquirisse vida, um ser humanóide saiu de dentro daquela casca pegajosa. A criatura tinha a estatura do Motoqueiro, tirando o fato de que parecia ser mais velho. Porém, a idade não parecia afligi-lo, nem mesmo a dor. Um sorriso em sua face se formou quando ele viu o Motoqueiro, e se pôs a caminhar até a caveira flamejante, que não acreditava em seus olhos.
- Que bom te ver, Johnny.
***
O dia estava agitado. Roxanne Simpson estava preocupada com o que poderia ter acontecido com seu namorado. Fazia uma semana que Johnny Blaze não dava um telefonema sequer. Junto com ela, estava Danny Ketch. Ele também não sabia o porque de estar ajudando o irmão, sendo que ainda carregava um ódio imensurável em seu peito pelo o que aconteceu com seu pai, Barton Blaze.
Panfletos foram distribuídos para que alguém pudesse reconhecer o desaparecido. Mas ela sabia muito bem o que poderia ter acontecido com seu namorado, já que sua vida era cheia de mistérios e até mesmo cheia de medo e insegurança por parte dela, que ficava temerosa pela vida de Johnny.
- Onde ele poderia estar? – perguntou Danny, andando junto com Roxanne numa avenida movimentada.
As vozes e a mente em outro lugar fizeram com que Roxanne não respondesse. Ela ficou quieta, olhando para o panfleto em sua mão.
- Oh, Johnny. Em que você se meteu dessa vez? – Roxanne pensou em voz alta.
Danny a encarou e abaixou a cabeça. Ele não estava nem um pouco preocupado, e nem sabia se deveria mesmo. Talvez ele quisesse que seu irmão estivesse numa enrascada, realmente.
E Johnny realmente estava.
***
A criatura humanóide se aproximou cada vez mais e o Motoqueiro pôde ver sua face. Não acreditou em seus olhos, o que ele poderia estar fazendo ali? Achou que o Inferno
estava lhe pregando mais uma peça. Tocou os ombros da criatura e olhou fundo em seus olhos já sem vida. O homem tinha um sorriso sofrido em sua face.
- O que você faz aqui? – perguntou o Motoqueiro com sua voz cadavérica.
- Estou aqui por sua causa. – o homem falou.
- Pai... E-eu não sabia! Me desculpe! – o esqueleto flamejante disse, estendendo sua mão para tocar em seu pai.
Barton Blaze estava ali, na sua frente.
Assim que as mãos do Motoqueiro tocaram o corpo de Barton, seu pai o ergueu e o arremessou para um emaranhado de árvores, e ele e o demônio gargalharam até não poder mais.
- O que achou dessa casca, meu filho? – Barton perguntou, enquanto andava em direção ao herói.
- Casca? – o Motoqueiro Fantasma não entendia mais nada.
- Mas é claro! Se eu realmente aparecesse para você, com certeza você se borraria de medo.
- QUEM É VOCÊ?
- Ora, sou aquele que tortura. Sou aquele que vive para que vocês sofram. Sou aquele que instiga a preguiça. Sou Belphegor, ao seu dispor. Por muitos, muitos anos, eu sonhei em finalmente acabar com a sua raça! Sabe, eu não tenho nada contra você, Johnny, mas eu odeio, profundamente, Zarathos. Ah, como eu odeio ele. E o melhor, eu odeio Mephisto. Sabe o que ele falou? Sabe o que o senhor das sombras falou? “Não entrarei nessa disputa em que uma parte da minha alma será destruída!”. Acredita nisso? – Belphegor, na casca de Barton, andava de um lado a outro, caminhando lentamente enquanto falava com seu inimigo, que ainda estava deitado.
O Motoqueiro Fantasma tentou se levantar, enquanto seu inimigo falava, porém uma imensa preguiça o atingiu. Se espreguiçou e como um bebê rolou na relva.
Tentou mais uma vez se levantar, porém seus membros não respondiam ao seu comando.
- Tá dando uma preguiça né? – Belphegor disse, logo depois gargalhando. – Viu só? Demônios como eu sabem fazer piadas. Embora dá uma preguiça inventar todas elas. Mas você sabe uma coisa que não me deixa com preguiça? Despertar esse sentimento em todos os membros da Terra. Veja só.
Belphegor fez alguns pequenos movimentos com as mãos e uma bola mágica se levantou do chão. Esta bola flutuou até o Motoqueiro, ainda deitado e ele pôde ver os principais pontos do mundo afogando na preguiça. Primeiramente, a bola mostrou Tókio. As milhões de pessoas que andavam na avenida mais movimentada do mundo, pareceram estar quase mortas de tanto andar. Algumas caíam e começavam a cochilar, enquanto
carros com seus motoristas dormindo, atravessavam as calçadas e atingiam vários pedestres, que não tinham força de vontade para desviar.
Logo depois, Rio de Janeiro. Os surfistas caíam na água e morriam afogados, já que não tinham vontade de nadar e sobreviver. Um prédio em chamas caiu, matando várias pessoas, pois estas tinham preguiça de escapar e os bombeiros estavam preguiçosos demais naquele dia para saírem do batalhão.
Num piscar de olhos, e o Johnny podia ver Nova York. Ele não podia acreditar no que estava acontecendo ali.
***
- Aqui é o Comandante Armstrong do vôo 476 do boeing-757. Temos visual da cidade de Nova York, temos permissão para pousar?
- Permissão concedida, Comandante Armstrong. Pista de pouso livre para o avião boeing-757 *bocejo*.
- Ai ai... Bota ai no piloto automático, to com uma preguiça pra pilotar esse avião.
– disse o comandante para o seu co-piloto.
- Ah, coloca você, tu tá mais perto ai do botão! Vô tira um cochilo.
O avião não para. Ultrapassa a pista de pouso e se choca contra a Torre de
Controle. O desastre é geral. O avião derrapa e explode. Todos mortos.
***
- NÃÃÃO! – o Motoqueiro grita, com sua voz estridente.
- NÃÃÃO! Sempre a mesma coisa. Vocês heróis não se cansam de ser tão, clichês? Sabe... Acho que vocês deveriam inovar. Mas do mesmo jeito, gostou da minha demonstração de força? – Belphegor diz, em meio ao sorriso.
O herói se ergue imponente, contra a vontade de seus músculos, que parecem ter se atrofiado. Ele olha em direção ao seu inimigo e grita. Belphegor e seu demônio subordinado se afastam de imediato.
- Tolo, tudo o que você fez, foi aumentar minha raiva e desejo de te matar! MORRA! – disse o Motoqueiro Fantasma, enquanto corria em direção ao demônio Belphegor.
O subordinado, que Johnny não sabia o nome, entrou na frente de seu mestre, e atacou o Motoqueiro com sua corda. O laço caiu sobre a cabeça do herói e por mais que Johnny em sua forma atual não tivesse um pescoço, a corda se prendeu e ele começou a ser puxado.
Com as poucas forças que lhe restavam, o Motoqueiro Fantasma começara a puxar a corda para o seu lado, tentando vencer o demônio pela força. Lentamente a corda raspava nas mãos da criatura avermelhada, e de repente o monstro largou indo para
frente com a força que o herói exerceu. Vendo que seu inimigo estava desarmado, o espírito da vingança aplicou três socos no queixo do demônio, jogando-o no chão e assim ele não se levantou mais.
Belphegor olhou para o Motoqueiro e tentou correr, porém com sua lentidão o herói conseguiu alcançá-lo facilmente. A caveira flamejante agarrou nos chifres do duque do Inferno, que estava se transformando naquele momento, e o puxou para trás. Belphegor caiu no chão e o Motoqueiro Fantasma terminou a luta, pulando e caindo com sua bota com bico de ferro na face do demônio. De repente, a sensação de cansaço passou e um alívio se abateu sobre sua alma.
O segundo desafio havia sido cumprido.
Lentamente, o Motoqueiro começou a perder a consciência, caindo na relva. E então apenas a escuridão.
No Próximo Capítulo: O terceiro desafio espera Johnny Blaze, um desafio em que sua verdadeira coragem de herói será posta à prova. E Danny Ketch recebe uma ligação.
“Ok. estou ferrado!” Foi o pensamento de Johnny Blaze quando este viu o que tinha a sua frente. Talvez o encontro com um símbolo da má sorte tenha feito isso com a sua vida. Olhou para os lados, o vazio daquela floresta horripilante o fazia ter calafrios. Como ele chegara ali? Nem mesmo ele sabia a resposta. Tornou a andar lentamente, alerta para qualquer coisa que viesse a se mover naquele terreno com um ar de sofrimento e desespero.
Ainda estava no Inferno. E ele estava ferrado.
Olhou para a árvore mais estranha que ele já havia visto em sua vida. As ondulações no centro do tronco formavam um rosto, um rosto totalmente apavorado. Olhou para o chão em que pisava assim que um misterioso “Creck” se fez ouvir. Olhou lentamente para o que ele havia pisado. Uma arma. Um calibre 38. nova e sem arranhões. Pegou a arma nas mãos e examinou-a. O metal reluzia assim que um brilho misterioso batia sobre o armamento.
Passos atrás de Johnny fez com que ele virasse e apontasse a arma contra o espião, porém logo ele abaixou-a e olhou para aquele homem magro, de uma cor cinzenta, fedendo a enxofre, com os olhos de quem não dormia há séculos. O homem tinha um sorriso no rosto e estendeu a mão, dizendo em seguida:
- O senhor a achou! Muito obrigado! Faria o favor de entregá-la a mim agora?
O Motoqueiro olhou para aquele homem e novamente para a arma. Ganhando confiança, ele a entregou nas mãos daquele sofrido ser, que olhou o item com os olhos de quem descobriu um novo brinquedo. Verificou se estava carregada e sorriu para o espírito da Vingança.
- É tão bonita! E ao mesmo tempo, tão mortal. Sabe... Eu acho a vida um saco. E por isso estou aqui. Estava procurando-a a muito tempo. Obrigado.
O homem acenou positivamente com a cabeça e apontou a arma para a própria cabeça, e assim atirou. Assim que seu corpo caiu inerte ao chão, o Motoqueiro correu para socorrê-lo, porém ele já havia sumido, num piscar de olhos. E então ele percebeu o que estava ocorrendo ali. Aquele homem, um suicida consentido, deveria passar o resto da eternidade se matando do mesmo jeito que ele se matou quando ainda havia ar em seus pulmões.
A caveira flamejante balançou a cabeça negativamente e ajoelhou-se sobre a relva pútrida, com aparência de cadáveres. Levantou-se lentamente e voltou a andar, olhando para os lados e vendo que, mesmo que o vento fosse escasso, as árvores pareciam ter vida própria, balançando de um lado a outro.
Gritos desesperadores invadiram a mente de Johnny, fazendo com que ele se ajoelhasse novamente e esmurrasse o chão com toda a força que ele dispunha. Não queria estar ali,
não queria viver no inferno assim como todos aqueles que fizeram o mal para a sociedade. Queria ser livre, queria viver novamente na Terra, mas ao mesmo tempo não queria perder seus poderes, seu ego falava mais alto do que qualquer coisa.
E então uma pergunta assolara a sua mente. Como ele havia chegado naquela floresta estranha? Ele não se lembrava de nada. Apenas se viu caminhando naquele lugar tortuoso e com um ar pesado. Deveria estar acostumado a andar pelo inferno. Mas não estava acostumado a passar por aquele território onde parecia que toda a sua alma de herói não representava nada, onde a sua psicologia seria posta à prova.
“Johnny deverá ir à um psicólogo e dizer que vagou pelos nove círculos do inferno como um cavaleiro fantasma, derrotando todos os duques...” Foi o pensamento que arrancou uma risada interior daquele Motoqueiro Fantasma. Ele estava ficando louco, e já podia sentir isso. Olhou novamente para o lado e viu milhares de pessoas andando em caminhos paralelos. Tinham uma aparência tremendamente sofredora. Andavam cabisbaixos e com os ombros jogados para frente. Parecia não ter mais fé de que um dia poderiam sair dali.
Olhando para aquela cena assustadora e deprimente, o Motoqueiro não viu que o terreno ali acabava e começava um tipo de rio de aparência e cheiro estranho. Braços se estendiam para fora daquele líquido e se debatiam, tentando sair dali, porém nada conseguiam fazer.
O Motoqueiro Fantasma tentou desviar o olhar, mas uma besta alada, que parecia um demônio, que de fato deveria ser, passou rasante sobre o lago, com uma corda em suas mãos. Um ser, indistinguível de homem ou mulher, colocou a cabeça para fora d’água, e o prazer em seus olhos foi imenso. Mas logo isso acabou quando o demônio amarrou a corda no pescoço daquela pessoa e a enforcou, logo depois colocando-a nos galhos de uma árvore.
O homem, que depois de ter saído da água se mostrou ser do sexo masculino, não se debateu, e aos poucos, a corda se tornara um galho, e o homem se tornou uma criatura coberta de limo, pálida e fria.
O demônio avistou o Motoqueiro e se aproximou dele com suas asas de morcego com vários furos. Ele não tinha chifre, mas no lugar da barba, havia um osso pontiagudo. De sua mão saiu mais uma corda. Ele sorriu para o espírito da vingança e disse:
- Você deve ser aquele que todos disseram para impedir de realizar a travessia. – sua voz era grossa e aterradora, menos para o Motoqueiro.
- E você deve ser aquele trouxa que acha que pode me impedir. – caçoou o herói.
- Oras, eu sei que eu não posso te deter. Mas não custa tentar, não é? Aliás, no meio destas árvores, tem uma pessoa que você deve conhecer. – disse o demônio, estralando os dedos.
Nesse exato momento, um caminho por entre as árvores se abriu, e com receio, o Motoqueiro prosseguiu por aquele caminho cheio de dor e sofrimento.
No final do caminho, erguida sobre um lago do mesmo tipo do outro, estava uma árvore de aparência velha e pútrida, sem falar no cheiro. O Motoqueiro Fantasma não entendeu nada do que estava acontecendo. Olhou para o demônio que estava ao seu lado, e este sorriu com seus dentes podres e afiados. A criatura parecia olhar dentro da alma daquele espírito da vingança.
De repente, como se a árvore adquirisse vida, um ser humanóide saiu de dentro daquela casca pegajosa. A criatura tinha a estatura do Motoqueiro, tirando o fato de que parecia ser mais velho. Porém, a idade não parecia afligi-lo, nem mesmo a dor. Um sorriso em sua face se formou quando ele viu o Motoqueiro, e se pôs a caminhar até a caveira flamejante, que não acreditava em seus olhos.
- Que bom te ver, Johnny.
***
O dia estava agitado. Roxanne Simpson estava preocupada com o que poderia ter acontecido com seu namorado. Fazia uma semana que Johnny Blaze não dava um telefonema sequer. Junto com ela, estava Danny Ketch. Ele também não sabia o porque de estar ajudando o irmão, sendo que ainda carregava um ódio imensurável em seu peito pelo o que aconteceu com seu pai, Barton Blaze.
Panfletos foram distribuídos para que alguém pudesse reconhecer o desaparecido. Mas ela sabia muito bem o que poderia ter acontecido com seu namorado, já que sua vida era cheia de mistérios e até mesmo cheia de medo e insegurança por parte dela, que ficava temerosa pela vida de Johnny.
- Onde ele poderia estar? – perguntou Danny, andando junto com Roxanne numa avenida movimentada.
As vozes e a mente em outro lugar fizeram com que Roxanne não respondesse. Ela ficou quieta, olhando para o panfleto em sua mão.
- Oh, Johnny. Em que você se meteu dessa vez? – Roxanne pensou em voz alta.
Danny a encarou e abaixou a cabeça. Ele não estava nem um pouco preocupado, e nem sabia se deveria mesmo. Talvez ele quisesse que seu irmão estivesse numa enrascada, realmente.
E Johnny realmente estava.
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A criatura humanóide se aproximou cada vez mais e o Motoqueiro pôde ver sua face. Não acreditou em seus olhos, o que ele poderia estar fazendo ali? Achou que o Inferno
estava lhe pregando mais uma peça. Tocou os ombros da criatura e olhou fundo em seus olhos já sem vida. O homem tinha um sorriso sofrido em sua face.
- O que você faz aqui? – perguntou o Motoqueiro com sua voz cadavérica.
- Estou aqui por sua causa. – o homem falou.
- Pai... E-eu não sabia! Me desculpe! – o esqueleto flamejante disse, estendendo sua mão para tocar em seu pai.
Barton Blaze estava ali, na sua frente.
Assim que as mãos do Motoqueiro tocaram o corpo de Barton, seu pai o ergueu e o arremessou para um emaranhado de árvores, e ele e o demônio gargalharam até não poder mais.
- O que achou dessa casca, meu filho? – Barton perguntou, enquanto andava em direção ao herói.
- Casca? – o Motoqueiro Fantasma não entendia mais nada.
- Mas é claro! Se eu realmente aparecesse para você, com certeza você se borraria de medo.
- QUEM É VOCÊ?
- Ora, sou aquele que tortura. Sou aquele que vive para que vocês sofram. Sou aquele que instiga a preguiça. Sou Belphegor, ao seu dispor. Por muitos, muitos anos, eu sonhei em finalmente acabar com a sua raça! Sabe, eu não tenho nada contra você, Johnny, mas eu odeio, profundamente, Zarathos. Ah, como eu odeio ele. E o melhor, eu odeio Mephisto. Sabe o que ele falou? Sabe o que o senhor das sombras falou? “Não entrarei nessa disputa em que uma parte da minha alma será destruída!”. Acredita nisso? – Belphegor, na casca de Barton, andava de um lado a outro, caminhando lentamente enquanto falava com seu inimigo, que ainda estava deitado.
O Motoqueiro Fantasma tentou se levantar, enquanto seu inimigo falava, porém uma imensa preguiça o atingiu. Se espreguiçou e como um bebê rolou na relva.
Tentou mais uma vez se levantar, porém seus membros não respondiam ao seu comando.
- Tá dando uma preguiça né? – Belphegor disse, logo depois gargalhando. – Viu só? Demônios como eu sabem fazer piadas. Embora dá uma preguiça inventar todas elas. Mas você sabe uma coisa que não me deixa com preguiça? Despertar esse sentimento em todos os membros da Terra. Veja só.
Belphegor fez alguns pequenos movimentos com as mãos e uma bola mágica se levantou do chão. Esta bola flutuou até o Motoqueiro, ainda deitado e ele pôde ver os principais pontos do mundo afogando na preguiça. Primeiramente, a bola mostrou Tókio. As milhões de pessoas que andavam na avenida mais movimentada do mundo, pareceram estar quase mortas de tanto andar. Algumas caíam e começavam a cochilar, enquanto
carros com seus motoristas dormindo, atravessavam as calçadas e atingiam vários pedestres, que não tinham força de vontade para desviar.
Logo depois, Rio de Janeiro. Os surfistas caíam na água e morriam afogados, já que não tinham vontade de nadar e sobreviver. Um prédio em chamas caiu, matando várias pessoas, pois estas tinham preguiça de escapar e os bombeiros estavam preguiçosos demais naquele dia para saírem do batalhão.
Num piscar de olhos, e o Johnny podia ver Nova York. Ele não podia acreditar no que estava acontecendo ali.
***
- Aqui é o Comandante Armstrong do vôo 476 do boeing-757. Temos visual da cidade de Nova York, temos permissão para pousar?
- Permissão concedida, Comandante Armstrong. Pista de pouso livre para o avião boeing-757 *bocejo*.
- Ai ai... Bota ai no piloto automático, to com uma preguiça pra pilotar esse avião.
– disse o comandante para o seu co-piloto.
- Ah, coloca você, tu tá mais perto ai do botão! Vô tira um cochilo.
O avião não para. Ultrapassa a pista de pouso e se choca contra a Torre de
Controle. O desastre é geral. O avião derrapa e explode. Todos mortos.
***
- NÃÃÃO! – o Motoqueiro grita, com sua voz estridente.
- NÃÃÃO! Sempre a mesma coisa. Vocês heróis não se cansam de ser tão, clichês? Sabe... Acho que vocês deveriam inovar. Mas do mesmo jeito, gostou da minha demonstração de força? – Belphegor diz, em meio ao sorriso.
O herói se ergue imponente, contra a vontade de seus músculos, que parecem ter se atrofiado. Ele olha em direção ao seu inimigo e grita. Belphegor e seu demônio subordinado se afastam de imediato.
- Tolo, tudo o que você fez, foi aumentar minha raiva e desejo de te matar! MORRA! – disse o Motoqueiro Fantasma, enquanto corria em direção ao demônio Belphegor.
O subordinado, que Johnny não sabia o nome, entrou na frente de seu mestre, e atacou o Motoqueiro com sua corda. O laço caiu sobre a cabeça do herói e por mais que Johnny em sua forma atual não tivesse um pescoço, a corda se prendeu e ele começou a ser puxado.
Com as poucas forças que lhe restavam, o Motoqueiro Fantasma começara a puxar a corda para o seu lado, tentando vencer o demônio pela força. Lentamente a corda raspava nas mãos da criatura avermelhada, e de repente o monstro largou indo para
frente com a força que o herói exerceu. Vendo que seu inimigo estava desarmado, o espírito da vingança aplicou três socos no queixo do demônio, jogando-o no chão e assim ele não se levantou mais.
Belphegor olhou para o Motoqueiro e tentou correr, porém com sua lentidão o herói conseguiu alcançá-lo facilmente. A caveira flamejante agarrou nos chifres do duque do Inferno, que estava se transformando naquele momento, e o puxou para trás. Belphegor caiu no chão e o Motoqueiro Fantasma terminou a luta, pulando e caindo com sua bota com bico de ferro na face do demônio. De repente, a sensação de cansaço passou e um alívio se abateu sobre sua alma.
O segundo desafio havia sido cumprido.
Lentamente, o Motoqueiro começou a perder a consciência, caindo na relva. E então apenas a escuridão.
No Próximo Capítulo: O terceiro desafio espera Johnny Blaze, um desafio em que sua verdadeira coragem de herói será posta à prova. E Danny Ketch recebe uma ligação.








2 comentários:
Realmente o meu Motoqueiro é melhor... Hahahaha
Brincadeira!!!
Foi bem interessanteo lance do demônio da preguiça... Bora ver como será o próximo desafio e se esses acidentes, decorrentes da preguiça, terão algum desdobramento...
Parabéns, um abraço e até mais!!
Hahahahahahahahaha... Não disse?
Pow valeu João pela leitura... Que bom que gostou do lance da preguiça. Pensei numa melhor maneira de piorar a situação do Motoqueiro hahahahaha. Valeu cara, abração e até mais!
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