19/02/2012

Lobos do Deserto #01

Nova história no UNF, diferente de todas que você já viu! Na cidade de Goldmine, um forasteiro se instala, mas um passado de mortes o persegue. Quão obscuro este homem é? Descubra nesta nova saga que mistura Velho Oeste com ação sobrenatural! Por Shadow.
Werewolf_Eye_Wallpaper_s7odz

Capítulo 1: Amy

O bar estava movimentado naquele dia. Amy atendia com um belo sorriso no rosto a todos os clientes bêbados que exigiam mais um copo de bebida. As janelas estavam abertas, para sanar o calor que os afligia. A garota andava de um lado para o outro do balcão, pegando garrafas de Uísque e Vodka e depositando nos copos dos fregueses.

- Espero que me pague o que nos deve, Ben. – disse ela sem brincadeira para um homem de barba espessa e olhos semicerrados que estavam vermelhos de tanto beber.

- Você sabe que eu sempre pago. – disse ele, com cada palavra arrastada, como se fizessem força para sair de sua boca.

- É o que eu espero. – Amy virou as costas para o freguês, que tomava mais um trago de seu uísque barato.

O sol não dava trégua. A areia quente cobria a estrada da pequena vila de Goldmine. O nome, evidentemente, vinha das enormes reservas de ouro que ficavam próximo dali, numa mina há muito abandonada sem motivos para tal. População total de oitenta pessoas, todas de bom coração, salvo alguns que sempre davam trabalho quando passavam da conta na bebida.

Amy não via a hora de sair dali e ir montar em seu garanhão. O cavalo negro a esperava amarrado em um pequeno toco, mas ele a conhecia tão bem que com certeza não se atreveria a fugir. A garota montava bem, havia aprendido com o pai que fora um tempo atrás o xerife da cidade.

Isso foi antes dos ataques dos bandoleiros.

Um grupo de bandidos estava de passagem pelas redondezas e evidentemente decidiram badernar naquela cidade também. Eram vinte ao total, enquanto a força policial de Goldmine era reduzida a meros quatro policiais e um carcereiro. O pai de Amy, o xerife Lock, decidiu que deveriam deter aqueles homens.

Mas, é óbvio, não conseguiu.

O tiroteio voou pelas centenas de milhas silenciosas do misterioso deserto. Parecia que todo o mundo havia parado para ver o terrível derramamento de sangue. Amy ainda se lembrava de quando viu seu pai pela última vez vivo. Ele recarregava sua arma com extrema rapidez, mas a velhice já batia à sua porta. Quando saiu de seu esconderijo, três bandoleiros passaram por ali, aplicando tiros em seu peito desprotegido. Amy quis gritar, mas encolheu-se para trás da janela de sua casa e ali ficou em silêncio. E em pouco tempo, os tiros desapareceram.

Ela não se lembrava de quanto tempo ficou ali sentada, chorando pela morte de seu querido pai, mas sabia que o dia virou noite tão rápido quanto o tiro de um revólver.

Mas agora ela não queria mais se lembrar daqueles terríveis fatos. Não queria se lembrar de que era sozinha no mundo, e que seus pais não estariam mais ali para acolhê-la como sempre fizeram.

Os bandoleiros foram embora e nunca mais voltaram. Foi-se eleito um novo xerife, mas este, por mais que tentasse, não conseguia se igualar a Lock em nenhum sentido. E as manchas de sangue se instalaram naquela região e desde então nunca mais saíram.

Era dolorido pensar naquele dia, assim como era dolorido pensar na morte da mãe de Amy, um assassinato frio e cruel, que acabou por deixar Lock manco e sedento por justiça. Mas o assassino nunca mais foi visto, e na mente da garota, ela não conseguia se lembrar de muita coisa, apenas do gorgolejo de sua amada mãe engasgando com o sangue que irrompia pela sua garganta, derramando todo o líquido viscoso pelo chão. E também se lembrava de quando ela estendeu a mão para Amy, como se fosse uma âncora para aquele mundo que ela estava deixando aos poucos. E pior, se lembrava do assassino. Era um homem peludo e muito grande, com olhos vermelhos e que refletiam a morte para quem os olhasse profundamente.

Mas Amy só tinha cinco anos quando aquilo aconteceu e prometeu a si mesma nunca mais pensar no assunto. Mas a palavra “nunca” era muito forte. Ela sabia que mais cedo ou mais tarde tudo aquilo voltaria à tona como um tiro que é mirado para o céu. “Uma hora ele vai, mas não se esqueça de que também volta. E é bom que não esteja em sua trajetória.” Era o que o pai dela sempre falava.

Entediada, Amy começou a batucar seus finos dedos no balcão, enquanto com a outra mão, segurava o queixo. Olhava impassível para a clientela. Homens sem nada a querer da vida, a não ser beber cada vez mais. Sim, como em toda a cidade, Goldmine também tinha a sua escória. E isso era em toda a região do Arkansas. Até mesmo as cidades mais próximas eram diariamente inundadas no próprio sangue, como o caso de Bandit City, que como o próprio nome já diz, era uma cidade de ladrões e matadores de aluguel. Ali, não existiam leis que pudessem ir contra o sistema forte e vigoroso daquele lugar maldito.

E Amy sabia que era dali que os malditos bandoleiros vinham.

- Pensando muito na vida, Amy? – perguntou um homem alto e de cabelos grisalhos, com as marcas da idade começando a aparecer aos poucos.

- Oi Joshua. – disse ela, monótona, ensaiando um pequeno sorriso naqueles belos lábios. – O de sempre? – ela não se preocupou em responder a pergunta do freguês.

- O de sempre. – disse ele, exibindo seu melhor sorriso amarelado.

Amy virou-se e pegou uma garrafa de vodka Starbrusk. Tirou-lhe a rolha e despejou o conteúdo num copo de vidro puro, frágil e difícil de lavar. Joshua acompanhava o trajeto da bebida dentro do recipiente como se a sede o aplacasse por anos. Quando a garota terminou de servi-lo, bebeu avidamente todo o conteúdo. Lambeu os beiços loucamente, com os olhos fechados, aproveitando cada momento em que a bebida ainda residia em sua boca.

- Mais uma. – disse ele, depositando o copo no balcão.

- Tome cuidado Joshua. A bebida ainda vai lhe matar. – era o que ela sempre dizia a ele.

- Então que eu morra de beber, pois é o melhor que eu faço! – disse ele, sempre rindo, mas acompanhando
com os olhos bem abertos enquanto Amy colocava mais dois dedos no copo.

Enquanto Joshua bebia mais uma vez, a porta de vai-vem do bar fora empurrada e um forasteiro entrou de cabeça baixa, sem levantá-la para nada. O chapéu de vaqueiro preto cobria sua face. A sombra da aba se jogava sobre seus olhos e a visão era aterradora para aquelas pessoas que nunca haviam visto-o antes.

Aproximou a passos calmos, com as mãos postas no bolso da calça jeans negra. Usava uma camiseta azul escuro com manchas estranhas (seria sangue?) e com um colete sobre ela, preso por cordas atadas em nós. Em sua cintura, de cada lado, pendia um coldre de couro escuro que guardava duas enormes Colt Pythons de cano prateado lustroso.

Ele se aproximou do balcão e colocou um dos braços sobre ele. Seus olhos se focalizaram em Amy, que sentiu uma pontada de desconforto. Todos haviam travado seus olhares no homem à sua frente. Quem era ele? Um homem de Bandit City? Ela não saberia dizer, mas já não gostava dele.

- O que deseja? – perguntou ela, mais ríspida do que queria.

- Água. E um lugar para passar a noite. – disse ele.

Amy movimentou lentamente a cabeça em sinal positivo, pigarreou e disse:

- Não temos mais vagas.

- Continue bancando a espertinha comigo, adoro isso. – disse ele, com um sorriso maldoso na face. – É só para passar a noite, nada mais.

Amy arregalou os dois olhos que Deus lhe dera e olhou para os lados. Big Jack, um homem careca e forte que estava sentado nas mesas de trás, se levantou rapidamente, segurando pela ponta uma garrafa de vodka.

- Ei! – disse ele. – Deixe Amy em paz! Venha aqui buscar sua vodka. – e soltou uma risada gutural e bêbada.

O homem misterioso se virou lentamente, olhando para Big Jack e logo em seguida para os outros homens, que agora tratavam de colocar seus revólveres em cima da mesa. Ninguém pestanejava.

- Por favor, não é necessário! – disse ela, com a voz embargada. – Não destruam meu bar!

O silêncio se prolongou. O homem não baixou o olhar em nenhum momento, mas também não levantou seu chapéu para olhar diretamente a eles.

- Big Jack, abaixe a arma. Por mim. – Amy agora suplicava para que não houvesse uma briga ali.

- É melhor fazer o que ela diz. – o Senhor Misterioso falou, com um sorriso a se formar pela face oculta.

O rosto de Big Jack se tornou vermelho e enfurecido ele jogou a garrafa de vodka no forasteiro, mas como seus reflexos estavam desnorteados, o recipiente foi mirado na própria Amy. Com a força que aquele objeto fora jogado, aquilo seria capaz de matar duas pessoas fortes.

E quando ia ocorrer o choque, o homem segurou rapidamente a garrafa com a mão direita e instantaneamente, lançou o objeto de volta para Big Jack, acertando no meio dos olhos do grande homem. O careca caiu na mesa e ali desmaiou.

Aquilo surpreendeu a todos, mais pela velocidade que tudo se desenrolou do que pela atitude. Pelo menos ele havia se mostrado valoroso ao defender Amy, uma das meninas mais adoradas de toda Goldmine.

- E então, - disse ele finalmente, sem mostra nenhuma alteração em seu tom de voz – vai me arranjar um quarto? Ou terei de dormir no celeiro?

Amy ainda estava tentando processar tudo que havia acontecido por ali, mas seu cérebro custava a acreditar que ela foi salva por um forasteiro qualquer, que até um momento atrás fora tratado rudemente.

- É claro. Acho que posso achar um lugar pra você. – disse ela finalmente.

7 comentários:

Velho oeste na veia. Esse é um gênero que não se esgota.

Texto bacana, Shadow.

Esta é uma realidade "normal" ou vai ter elementos fantásticos também?

Grande abraço!

Valeu Nerão! Velho Oeste tem que ser melhor explorado pelo povo brasileiro, porque sempre rendeu boas histórias. Esta realidade é "normal" com toques bem sobrenaturais hehe. Abração e até mais!

Muito bom o texto... Velho Oeste realmente tem muito a oferecer ainda.
Parabéns e bora esperar pelo próximo capítulo!

Valeu João! Tá vindo coisa boa por ai!

Muito bom o texto. Sempre gostei de hitorias mais voltadas de medieval ao velho oeste, ai colocando "toques bem sobrenaturais" como disse o Shadow, fica melhor ainda. Parabens.
Espero o resto por mais...

Opa, muito obrigado pelo comentário Sor Rafael, espere que coisas muito boas estão vindo por ai. Enquanto isso, acompanhe os outros títulos que circulam pelo nosso site, tenho certeza de que gostará de todos! Um abraço e até mais!

Bom, dizem que a 1ª impressao vale bastante. Pelo que li do seu texto, com certeza vou ler outros. Abraço.

Postar um comentário